O silêncio confortável foi quebrado pelo som da respiração de Lila, ainda acelerada. O corpo dela repousava mole contra o de Taylor, como se não tivesse forças para se mover. A pele úmida, o coração disparado e as pernas trêmulas denunciavam o quanto ele havia tirado tudo dela.
Taylor passou uma das mãos pelo cabelo dela, afagando lentamente, mas o sorriso safado nunca deixava o rosto.
— Eu avisei… — disse em tom baixo, ainda rouco. — Continua provocando e eu ia te mostrar o quanto estava acordado.
Lila escondeu o rosto no peito dele, corando de novo.
— Você é insuportável. — murmurou, a voz abafada.
— Insuportável? — ele riu, prendendo-a pela cintura. — Você gemeu tanto no meu colo que até os cavalos lá fora devem ter ouvido.
Ela ergueu a cabeça num salto, os olhos arregalados.
— Taylor! — sussurrou, indignada. — Cala a boca!
Ele gargalhou, satisfeito com o efeito que causava.
— Vermelha assim, você fica ainda mais linda.
Lila revirou os olhos, tentando se soltar, mas ele não deixou. Depositou um beijo lento em sua boca antes de finalmente soltá-la.
— Vai se arrumar, patricinha… senão Maria vai subir aqui e nos .
Lila bufou, puxando o lençol para cobrir o corpo enquanto tentava levantar. As pernas, no entanto, ainda estavam trêmulas, e ela acabou perdendo o equilíbrio. Taylor não perdeu a oportunidade: segurou-a pelos quadris e riu baixo.
— Calma aí, mocinha. Se andar assim, todo mundo vai saber o que você andou aprontando.
Ela mordeu os lábios, sem conseguir encará-lo, e se enfiou no banheiro às pressas, enquanto ele ainda ria.
Quando finalmente desceram para a cozinha, a cena parecia saída de um retrato típico da fazenda, mas com um detalhe que a tornava especial: os dois.
Lila vinha à frente, leve, fresca, com um short jeans desfiado que deixava as pernas à mostra, a barra gasta roçando suavemente contra a pele clara. A camisa branca de botões, um pouco folgada, estava presa apenas até a altura da cintura, revelando discretamente um toque de pele e reforçando aquele ar despretensioso e provocante que era só dela. Os cabelos ainda soltos caiam pelos ombros, emoldurando o rosto corado pela manhã e pela noite anterior.
Atrás dela, Taylor descia os degraus com a imponência natural de sempre. A calça jeans escura, já gasta de tanto uso, moldava-se ao corpo forte. A camisa quadriculada em tons sóbrios, com as mangas dobradas até os antebraços, deixava à mostra a firmeza dos músculos. Dois botões soltos no alto revelavam um vislumbre do peito bronzeado, e, para completar, o chapéu de cowboy repousava firme sobre a cabeça, sombreando levemente o olhar azul que parecia ainda mais intenso àquela hora da manhã.
O cheiro de café fresco e pão quentinho preenchia o ar, misturando-se ao calor que os dois traziam consigo. Maria já estava organizando a mesa, alinhando pratos e talheres com a precisão de quem fazia aquilo desde sempre. Catarina, recostada na cadeira, bebia suco distraída, mas ergueu o olhar assim que os viu entrar.
A expressão dela mudou imediatamente: primeiro surpresa, depois curiosa, e por fim aquele sorriso maroto que só significava uma coisa provocações estavam a caminho.
— Finalmente! — disse a irmã, com um sorriso malicioso. — Achei que vocês não iam levantar nunca.
Lila quase engasgou com o próprio ar, corando violentamente.
— Eu… eu demorei porque estava… arrumando o cabelo.
Taylor cruzou os braços, encostado na porta, e sorriu daquele jeito irritantemente convencido.
— É, o cabelo dela deu trabalho mesmo. — completou, cheio de segundas intenções.
Lila chutou discretamente a perna dele por baixo da mesa, mas Catarina já estava gargalhando. Maria ergueu os olhos do bule, desconfiada, e balançou a cabeça com um suspiro divertido.
— Esses jovens… — murmurou, mas o brilho nos olhos denunciava que havia percebido mais do que gostaria.
Taylor serviu café como se nada tivesse acontecido, enquanto Lila tentava, em vão, disfarçar o rubor que teimava em não deixá-la.
— Come, Montgomery. — ele disse, deslizando uma xícara para ela, com a voz baixa, carregada de provocação. — Você vai precisar de energia depois.
O olhar dela prometia matá-lo. Mas, no fundo, ambos sabiam que ele estava certo.
Catarina, sempre atenta, não perdeu a oportunidade de provocar a cunhada.
— Nossa, Lila, você está radiante hoje… — disse com um sorriso largo, apoiando o queixo na mão. — Deve ser o ar da fazenda. Ou será que foi outra coisa que te deixou assim coradinha?
Lila quase deixou a xícara escapar da mão, o rosto incendiado.
Maria balançou a cabeça, tentando impor ordem.
— Chega de perturbar a moça. Sentem-se e comam antes que o café esfrie.
Todos obedeceram, mas os risinhos baixos continuaram ecoando pela mesa. Taylor manteve a expressão satisfeita, cortando uma fatia generosa de bolo e empurrando o prato na direção de Lila.
— Come, Montgomery. Não quero ver você reclamando depois.
Ela lançou-lhe um olhar mortal, mas aceitou o prato, murmurando um “obrigada” entre dentes cerrados.
Foi então que Maurício limpou a boca com o guardanapo e se voltou para o cunhado.
— Taylor, depois do café a gente precisa ir até a cidade.
O cowboy ergueu a cabeça, curioso.
— O que foi agora?
— Um problema com a entrega das rações. — Maurício explicou. — O fornecedor ligou cedo, disse que o caminhão não saiu, e se a gente não resolver logo, vai atrapalhar a semana inteira.
Taylor soltou um suspiro pesado, inclinando-se na cadeira.
— Sempre tem alguma coisa…
— Pois é. — Maurício concordou, dando um gole no café. — Mas não deve demorar. A gente resolve isso rápido.
Lila observava em silêncio, ainda tentando se recompor das provocações. Catarina, no entanto, não resistiu e cutucou de novo:
— Vai com calma, cunhadinha. Não deixe o cowboy te cansar desse jeito.
Taylor riu alto, enquanto Lila, com as bochechas vermelhas, desejava desaparecer debaixo da mesa.

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