O sol já estava alto no céu quando Catarina bateu à porta do quarto de Lila, como sempre cheia de energia. O sorriso aberto iluminava o rosto, e o entusiasmo em sua voz não deixava espaço para recusas.
— Vamos, cunhadinha! — disse animada, apoiando a mão na cintura. — Nada de ficar trancada aqui dentro. A fazenda é enorme, linda, e você ainda conhece tão pouco dela.
Lila, que terminava de ajeitar os cabelos diante do espelho, hesitou por um instante. Havia algo de intimidador na ideia de se aventurar pelos campos, mas a animação da cunhada era contagiante. Sorriu de leve e levantou-se decidida. Vestiu uma calça jeans clara que se ajustava bem às curvas, uma blusa leve de tecido branco e as botas emprestadas por Catarina, que já tinha preparado tudo para a saída.
— Acho que estou pronta — disse, ajeitando a barra da blusa por dentro da calça.
Poucos minutos depois, as duas desciam pela varanda, rindo e conversando como se fossem amigas de longa data. O calor suave da manhã trazia consigo o cheiro da terra molhada pela chuva da noite anterior.
Assim que pisaram no pátio, alguns peões interromperam o trabalho para cumprimentá-las. Eram homens de pele bronzeada pelo sol, chapéus de palha enfiados até a testa e mãos calejadas, acostumados à lida dura do campo. Catarina os cumprimentava com naturalidade, distribuindo sorrisos e acenos.
— Bom dia, Zé! Bom dia, João! — disse, com aquele jeito expansivo que lhe era tão característico.
— Bom dia, dona Catarina! — responderam em uníssono, respeitosos.
Quando os olhares se voltaram para Lila, alguns sorrisos se abriram ainda mais. Houve até quem tirasse o chapéu em saudação.
— Bom dia, patroa! — disseram quase ao mesmo tempo, levantando as mãos em cumprimento.
Lila parou de súbito, sentindo o rubor subir-lhe às bochechas.
— P-patroa? — repetiu, confusa, voltando-se para Catarina.
A irmã de Taylor soltou uma gargalhada leve, divertindo-se com a reação.
— Ora, é claro! Você é a esposa do patrão, Lila. Para eles, isso já te torna a “patroa”.
— Mas eu… eu não fiz nada para merecer esse título — murmurou, embaraçada, olhando para o chão.
Catarina passou um braço pelo dela, puxando-a adiante.
— Não precisa “fazer” nada, querida. Basta estar aqui. Você vai se acostumar, vai ver.
Apesar da vergonha, Lila não conseguiu conter um pequeno sorriso. A sensação de ser aceita, mesmo sem esforço, a tocava mais do que gostaria de admitir.
No estábulo, o cheiro de feno fresco e couro encerado se misturava ao som dos cascos batendo contra o chão de terra batida. Assim que Lila entrou no espaço, ainda ajustando as luvas de montaria, um relincho ecoou alto. Diabo ergueu a cabeça de imediato, as narinas dilatadas, como se tivesse reconhecido algo familiar. O corcel negro bateu a pata no chão com força, relinchando outra vez, os olhos fixos na jovem que se aproximava.
Catarina arregalou os olhos, surpresa.
— Mas o que é isso? — murmurou, rindo logo em seguida. — Parece até que o Diabo reconheceu a noiva do dono! Trovoada devia agir assim comigo também…
Lila sorriu, sem se intimidar, e caminhou até o cavalo. Estendeu a mão, tocando de leve a crina espessa e reluzente, enquanto o animal inclinava a cabeça como quem aceitava a carícia. O contato foi imediato, natural, como se entre os dois houvesse uma conexão silenciosa.
— Ei, garoto… — ela sussurrou, afagando-o com ternura. — Também senti saudade…
O cavalo bufou, sacudindo a crina, e bateu a pata no chão outra vez, impaciente. Os peões que observavam trocaram olhares, impressionados.
— Nunca vi o Diabo tão manso… — comentou um deles, incrédulo. — Ele gosta mesmo da senhora.
Lila arqueou uma sobrancelha divertida, sentindo o orgulho aquecer o peito. Segurou firme as rédeas, apoiou o pé no estribo e montou com maestria, demonstrando a segurança de quem já havia cavalgado outras vezes. O corcel negro respondeu de imediato, erguendo o pescoço com elegância, como se estivesse orgulhoso de sua nova amazona.

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