Depois do passeio a cavalo, o corpo de Lila ainda vibrava com a adrenalina da cavalgada em Diabo, mas havia uma leveza diferente em seu peito. Ao lado de Catarina, voltava para casa rindo, como se fossem amigas de infância e não cunhadas recém-aproximadas. O vento trazia o cheiro fresco da grama molhada, misturado ao calor do sol que agora já queimava mais forte, dourando tudo ao redor. O céu azul, limpo, parecia uma pintura perfeita, sem uma única nuvem que pudesse atrapalhar.
Ao chegarem à varanda, Catarina parou de repente e segurou o braço da cunhada, a encarando com os olhos faiscando com uma ideia travessa.
— Espera aí, nada de se trancar já dentro de casa. — disse, sorrindo com malícia. — Você já viu o riacho, mas ainda não te levei ao melhor lugar da fazenda.
— E onde seria esse? — Lila arqueou a sobrancelha, desconfiada, mas já rindo.
— A cachoeira! — Catarina anunciou, como quem entrega um segredo precioso. — Fica logo ali na mata, a caminhada é curta. E com esse calor… não tem nada mais gostoso do que mergulhar lá.
Os olhos de Lila brilharam.
— Cachoeira? Agora?
— Claro! — Catarina deu um giro animado, já indo em direção à trilha. — Anda logo, cunhadinha, ou vou sem você!
Sem conseguir resistir ao entusiasmo da cunhada, Lila a seguiu. A trilha era estreita, ladeada por árvores altas, e a luz do sol se infiltrava por entre as folhas, criando feixes dourados que iluminavam o caminho como tochas naturais. O barulho da água foi crescendo até que, de repente, surgiu diante delas: uma queda prateada despencando sobre pedras escuras, formando um poço cristalino que refletia a luz do sol como se fosse um espelho líquido.
Lila parou, maravilhada.
— Uau… é simplesmente lindo!
— Eu sabia que você ia gostar. — Catarina respondeu com orgulho, dando um empurrãozinho no braço da cunhada. — Agora vamos, tira a roupa.
— O quê?! — Lila arregalou os olhos, mas logo caiu na gargalhada.
— O que foi? Não me diga que ficou com vergonha! — Catarina provocou, já se despindo sem cerimônia até ficar de lingerie. — Aqui não tem ninguém além da gente.
Entre risos cúmplices, Lila cedeu. Tirou as botas, abriu os botões da blusa e em poucos minutos também estava apenas de lingerie, entrando devagar no poço. A água fria a envolveu num choque delicioso, arrancando um suspiro de alívio. As duas começaram a brincar, jogando respingos uma na outra, gargalhando alto.
Foi nesse clima que Catarina, sempre com a língua afiada, estreitou os olhos e encarou a cunhada com um sorriso maroto.
— Olha só… — disse em tom de provocação. — Não é só a água fria que está deixando você vermelha. Aposto que é porque eu percebi o que você está tentando esconder.
Lila franziu o cenho, confusa.
— Do que você tá falando?
Catarina ergueu o dedo e apontou descaradamente para a cintura dela, onde uma marca arroxeada despontava sob a pele clara.
— As marcas do meu irmão, oras! — falou sem pudor algum. — Você está com o corpo todo marcado por ele.
O rubor tomou conta do rosto de Lila na mesma hora, tão forte que parecia que tinha engolido uma pimenta inteira.
— Catarina! — protestou, cobrindo o ombro com a mão. — Você não tem jeito, fala cada coisa!
A cunhada caiu na gargalhada, batendo na água.
— Ah, pelo amor de Deus, não adianta esconder, eu já vi! — brincou, maliciosa. — E se na cintura tá assim, imagina o resto…
— Para! — Lila quase se afogou de tanta vergonha, cobrindo o rosto com as duas mãos. — Você é impossível!
Catarina se aproximou e a abraçou de repente, ainda rindo.
— Relaxa, cunhadinha. Não tem problema nenhum. Na verdade, fico feliz de ver meu irmão finalmente feliz de verdade. Ele sempre foi fechado demais, duro demais… e agora olha só, se deixou marcar por você também.
Lila abaixou lentamente as mãos do rosto, ainda vermelha, mas um sorriso tímido começou a brotar.
— Você fala de um jeito…
— De um jeito realista! — Catarina interrompeu, divertida. — Você tem que se acostumar, na fazenda não existe muito espaço para segredos. Todo mundo já percebeu que vocês estão completamente apaixonados.
Lila suspirou, mordendo o lábio, e deixou escapar um riso envergonhado.
— Você não presta, Catarina…
— Não presto mesmo. — ela respondeu, piscando. — Mas sou a sua cunhada preferida, vai ter que me aturar.
As duas caíram na gargalhada, e a mata ecoou com suas vozes leves. A tensão que pairava antes desapareceu, substituída por uma cumplicidade sincera, quase de irmã.
Foi nesse instante que passos se aproximaram. Clara e Mariana surgiram pela trilha, atraídas pelo barulho da água e das risadas.
— Dona catarina! — Mariana chamou, sorridente.
— Eu disse, sim. — murmurou, sem rodeios. — E não retiro uma palavra.
Lila sentiu um frio percorrer a espinha.
— Então… não era só brincadeira da sua parte?
Catarina negou com a cabeça, séria por um instante, o que era raro nela.
— Não, Lila. Clara sempre teve uma queda pelo meu irmão. Desde menina, na verdade. Só que o Taylor nunca deu bola, nunca. Para ele, ela sempre foi como uma irmãzinha da fazenda, mais nova, que precisava ser protegida. Mas… — suspirou, lançando um olhar na direção da trilha por onde Clara tinha desaparecido — algumas pessoas não sabem lidar quando o coração não recebe aquilo que quer.
Catarina ficou triste ao lembrar do que tinha acontecido com Amanda.
Lila cruzou os braços, tentando se aquecer, mas a verdade era que o frio vinha de dentro. O olhar intenso de Clara voltava à sua mente, queimando, desconfortável, como se a garota tivesse cravado uma promessa silenciosa.
— E você acha que… — hesitou, mas completou — que ela ainda vai insistir mesmo agora que estamos… juntos?
Catarina suspirou fundo, e então a provocadora habitual voltou à tona.
— Olha, cunhadinha… — disse, com um sorrisinho enviesado. — Do jeito que ela ficou te devorando com os olhos agora há pouco, eu diria que a Clara sente, sim. Mas talvez não seja só pelo meu irmão.
— Catarina! — Lila arregalou os olhos, corando até a raiz dos cabelos. — Não brinca com uma coisa dessas.
A irmã de Taylor caiu na gargalhada, dando um tapa leve no braço dela.
— Ah, você é muito fácil de provocar! Fica vermelha que nem um pimentão!
Apesar da risada, Lila não conseguiu acompanhar. O coração estava pesado demais, e a cabeça fervilhava de perguntas que ela mesma não queria responder. Amanda, Clara… ´por Deus, quantas mais?
Catarina percebeu a mudança no semblante da cunhada, mas preferiu não insistir. Apenas jogou os cabelos para trás e disse, num tom mais leve:
— Olha, eu só sei de uma coisa, o meu irmão não enxerga mais ninguém desde que você chegou. E é bom que a Clara entenda isso de uma vez.
Lila respirou fundo, tentando se confortar com as palavras da cunhada. Mas, no fundo, ainda havia a dúvida, latejando, incômoda, como uma ferida recém-aberta.
Até onde Clara estaria disposta a ir para lidar com o que sentia por Taylor?

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