O sol do fim da tarde tingia o céu da fazenda Remington com um dourado melancólico, um espetáculo silencioso que só os que viviam no campo sabiam valorizar de verdade. A luz atravessava as folhas das árvores altas, desenhando sombras compridas sobre a terra batida, enquanto uma brisa morna fazia as espigas de trigo dançarem em ondas suaves. O canto dos grilos começava a se sobrepor ao zumbido das cigarras, e no horizonte, silhuetas de cavalos pastando completavam o quadro bucólico de um fim de dia aparentemente tranquilo.
Mas nem tudo era calmaria naquela tarde. Para Taylor Remington, herdeiro do vasto império da família e símbolo de tudo que havia de selvagem e indomado naquela terra, aquele não era um dia qualquer. Era o prenúncio de um acordo selado por conveniência, não por amor. Um compromisso social que ferreteava sua liberdade e desafiava tudo o que ele acreditava, inclusive seu orgulho.
Ele vinha cavalgando como quem desafia o próprio destino. Sobre o dorso do seu garanhão negro, Diablo, uma fera tão inquieta quanto o próprio dono, Taylor era a imagem da força e da rebeldia. O animal, musculoso e veloz, cortava os campos como uma flecha viva, a crina solta esvoaçando ao vento. O som dos cascos reverberava pelo vale como um tambor de guerra, anunciando a aproximação do filho mais difícil da família Remington.
Taylor estava sem camisa. Seu torso nu reluzia sob os raios oblíquos do sol poente. O suor escorria pela pele bronzeada, delineando cada contorno de seus músculos, os ombros largos, o peitoral firme, o abdômen definido pelo trabalho duro e não por vaidade. Os cabelos loiros e ondulados colavam-se à testa molhada, mas nem mesmo o esforço da cavalgada parecia capaz de apagar a expressão indomável de seus olhos azul-acinzentados. Era um homem que exalava virilidade, orgulho e uma liberdade que, naquela noite, estava prestes a ser encurralada.
No alto da cerca que delimitava o haras, duas figuras femininas observavam a cena com atenção, ou melhor, com fascinação.
— Pelo amor de Deus… — suspirou Amanda Selfer, com os olhos vidrados na figura que cavalgava em sua direção como se tivesse saído de um sonho erótico de faroeste. — Meu Deus… — sussurrou vendo Taylor cavalgar para próximo das duas.
Catarina, sua melhor amiga, soltou uma risada debochada, com os braços cruzados e a expressão vitoriosa.
— É maninho parece que toda a sua liberdade está prestes a chegar ao fim.
Amanda tentou fingir indiferença, mas era inútil. Por mais que dissesse para si mesma que era apenas a amiga acompanhando Catarina para buscar o irmão para o jantar, a verdade era que Taylor sempre fora sua perdição. Desde adolescentes, desde aquele tempo em que ele passava com as botas sujas de barro e o chapéu desajustado, mas com aquele mesmo sorriso cínico e aquela postura que misturava perigo com um magnetismo quase animal.
Amanda nunca esqueceu a única noite que teve nos braços de Taylor.
Foi na festa de aniversário de dezoito anos de Catarina. Foi também a noite em que Taylor comunicou aos pais que iria se mudar para a fazenda. A notícia não foi bem aceita por sua mãe e isso o deixou desestabilizado. Porque o acordo tinha sido claro: cursar as melhores universidades da América e da Eudora e depois, ele teria a sua liberdade. Naquela noite, ele bebeu em excesso e Amanda terminou a noite nos seus lençóis. No dia seguinte, veio a bomba. Taylor preocupado procurou Amanda, mas ela negou que tivesse acontecido algo entre os dois, para o alívio do loiro. Mas, para a dor dela, que jamais esqueceu.
O cavalo finalmente diminuiu o passo. Taylor puxou as rédeas com um assobio baixo, e Diablo obedeceu como quem respeita um rei. Pararam a poucos metros da cerca, e com um movimento rápido e gracioso, ele desmontou. Quando seus pés tocaram o chão, Taylor se endireitou e limpou o suor da testa com as costas da mão, caminhando com calma em direção às duas.
— Sempre fazendo entrada triunfal, não é? — provocou Catarina, com uma sobrancelha arqueada.
Taylor sorriu de canto.
— E você, irmãzinha, sempre fazendo visita com cara de quem quer causar.
— Notícia importante — ela rebateu. — O jantar de noivado é hoje. E sim, você vai.
Ele parou, cruzou os braços sobre o peito suado, os músculos saltaram com o gesto. Amanda tentou, de verdade, olhar para outro lugar, mas fracassou vergonhosamente.
— Já disse que isso é uma loucura — disse ele, com os olhos faiscando.
— É uma decisão de família. E agora é pública. Não tem mais volta — disse Catarina. — E, além disso, você prometeu que iria.
— Prometi sob ameaça — respondeu ele, sorrindo de lado, aquele sorriso que sempre desmontava Amanda.
Amanda riu, o som escapou de seus lábios, antes que pudesse impedir e Taylor a fitou.
— Amanda Selfer. A última vez que te vi, você jurou que nunca mais colocaria os pés nessa fazenda.
— Foi antes de saber que você andava… sem camisa por aqui — respondeu ela, tentando soar leve, mas sua voz saiu rouca, traída pela tensão que seu corpo inteiro denunciava.
Taylor a encarou por um segundo a mais do que o necessário.
— É sempre um prazer te ver. Mesmo coberto de poeira e suor.
— Você parece perfeitamente à vontade assim… — disse ela, quase num sussurro.
Catarina bufou.
— Ótimo. Enquanto vocês dois flertam como dois adolescentes no cio, eu vou esperar meu namorado chegar.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casamento Forçado: O Cowboy com quem me casei era Bilionário