O fim de tarde tingia o céu com tons alaranjados e dourados quando Taylor Miller cruzou os campos da fazenda a cavalo, o chapéu abaixado sobre os olhos, os músculos do corpo cansados mas satisfeitos. O cheiro de terra molhada, couro e liberdade ainda estava grudado na pele enquanto ele desmontava e entregava as rédeas do cavalo ao rapaz do estábulo. Respirou fundo antes de subir os degraus da varanda e empurrar a porta da frente da casa.
Na sala, Amanda e Catarina o esperavam. As duas haviam chegado à fazenda horas antes, a pedido da mãe de Taylor, com uma missão clara: garantir que ele aparecesse no jantar de noivado naquela noite. O noivado com Lila Montgomery não era um conto de fadas, era um contrato. Uma aliança estratégica entre duas famílias influentes, e Taylor não tinha escolha a não ser comparecer.
— Demorou, hein, cowboy? — brincou Catarina, cruzando os braços.
Amanda, no entanto, apenas o observava em silêncio, seus olhos percorrendo o corpo coberto de pó e suor, como se enxergasse algo que não sabia explicar.
— Fui dar uma volta. Precisava pensar — disse ele, tirando o chapéu e limpando a testa com o dorso da mão. — Vou me arrumar.
Subiu as escadas com passos pesados, jogando o chapéu sobre a poltrona do quarto antes de ir direto para o banheiro. Ligou o chuveiro, deixando a água quente escorrer por seu corpo bronzeado. Fechou os olhos e tentou se concentrar, mas era impossível ignorar a imagem que dominava seus pensamentos.
Lila Montgomery.
O jeito debochado com que ela erguia o queixo, a pose autoritária, o tom arrogante como se governasse o mundo e ele, por mais que tentasse negar, sentia o desejo insano de domá-la. Lembrava do beijo que haviam trocado dias antes. Um beijo que não era para ter acontecido. A maneira como seus lábios capturaram os dele com fome, como sua mão apertou a cintura dela com força, como ela correspondeu como se estivesse desafiando cada fibra do seu autocontrole.
— Arriégua... essa mulher vai me enlouquecer — murmurou, olhando para baixo.
Sentiu o corpo inteiro arrepiar e sem membro pulsou desejando-a. Ele praguejou baixinho, apoiando a testa na parede fria do boxe. Lila era o oposto dele em tudo. Uma garota mimada, metida, acostumada a conseguir tudo com um estalar de dedos. E ele… um homem livre, de espírito aventureiro, que encontrava paz na terra, nos cavalos, nas noites estreladas sem obrigações. E ainda assim, desde o dia em que trocou a primeira palavra com Lila, ela estava lá. No canto de sua mente. No desejo reprimido. Na tensão dos encontros casuais e olhares longos demais.
Havia uma química antiga entre eles. Algo que ele se recusava a nomear. Mas depois de ter provado o sabor dos seus lábios, resistir estava cada vez mais difícil.
Saiu do banho e secou-se rapidamente. Vestiu uma cueca limpa, depois a calça jeans escura bem ajustada ao corpo. Escolheu uma camiseta de botões branca, deixando os dois primeiros desabotoados para exibir parte do peito bronzeado. As mangas dobradas até os cotovelos, os punhos firmes. Pegou o anel da gaveta da cômoda, o anel de noivado que fora de sua avó. Ouro puro com uma safira azul no centro, clássico, elegante.
— Dê isso à mulher que fizer seu coração esquecer de tudo.
Ele segurou o anel por alguns instantes, pensativo. Depois o colocou no bolso. Por fim, calçou as botas de couro e ajeitou o chapéu sobre a cabeça. Parou diante do espelho, observando seu reflexo.
Taylor Remington Miller. Herdeiro de um império bilionário, que se recusava a assumir as empresas da família, ex-campeão de laço, agora prestes a colocar um anel no dedo de uma mulher que o deixava completamente fora de si. Por fora, ele parecia o mesmo cowboy indomável de sempre. Mas por dentro… estava em conflito.

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