O relógio da sala marcava sete e vinte da noite quando o ronco de um carro importado ecoou pela entrada principal, anunciando a chegada dos Remington. Do lado de fora, a mansão moderna dos Montgomery exibia sua imponência com linhas retas, amplas janelas de vidro, madeira clara e iluminação indireta que destacava cada detalhe da fachada. As cortinas brancas e leves dançavam suavemente com a brisa, e o aroma de jasmim e lavanda no jardim recém-regado preenchia o ar com uma doçura quase sufocante.
Por dentro, a casa não era menos impressionante. O chão de mármore cinza polido refletia as luzes âmbar embutidas no teto, e as paredes de madeira clara conferiam ao ambiente uma sofisticação acolhedora. Tudo estava impecavelmente arrumado. Cada arranjo floral havia sido escolhido a dedo por Isabella, mãe da noiva, que combinara os lírios-tigre com o tom exato do vestido de Lila. Os talheres dourados, os jogos de linho, as velas perfumadas, o tapete moderno que substituiu o antigo persa, tudo tinha sido planejado para impressionar os convidados.
Mas Lila… Lila estava à beira de explodir.
Sozinha na biblioteca, ela andava em círculos, os saltos afundando no tapete macio enquanto tentava conter a raiva que lhe fervia no peito. Os braços cruzados com força, o maxilar travado, e o olhar em chamas. Nada daquilo fazia sentido. Por mais que os pais insistissem que aquele casamento era estratégico, uma fusão perfeita entre os Montgomery e os Remington, tudo dentro dela gritava que aquilo era um erro.
E o motivo principal tinha nome, sobrenome… e maldita beleza.
Taylor Remington Miller.
Sim, ele era lindo. Ridiculamente bonito. Alto, ombros largos, cabelo loiro levemente bagunçado e olhos de um azul tão profundo que irritava. O tipo de homem que parecia saído direto de um comercial de perfume, daqueles com cavalos selvagens correndo em câmera lenta e vento no rosto. Tinha uma presença que dominava o ambiente e uma voz grave que fazia qualquer distração se calar. Lila odiava o fato de que, por mais que quisesse, seu corpo não conseguia ignorá-lo.
Mas odiava ainda mais o próprio Taylor.
Não era só implicância. Era mágoa, orgulho ferido, um rancor que ela alimentava desde aquela noite maldita, dois anos atrás, numa festa beneficente na fazenda dos Remington.
Ela estava com Suze, sua melhor amiga, quando ouviu a voz dele vindo de um canto do jardim. Taylor falava com dois amigos, sem saber que ela estava perto. Ela não queria escutar… mas escutou.
— Bonita ela é, sem dúvida — disse, rindo. — Mas jamais me envolveria com uma garota como a Lila Montgomery.
— Por quê? — perguntou um dos amigos, também rindo.
— Porque ela é mimada. Vive cercada de luxo, tem um gênio pior que touro bravo. Seria impossível domá-la.
Domar. A palavra reverberou na mente de Lila como um soco.
Ela ficou paralisada, não disse nada. Por mais que sua vontade era ter partido para cima dele e ter feito ele engolir tudo o que disse. Ficou tão irritada que perdeu o equilíbrio e acabou caindo de cara na lama. Foi ai que aconteceu o pior….
— Gente fina não pisa na terra, escorrega nela.

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