Lila Montgomery
O sol da manhã já se derramava sobre os campos quando eu e Catarina seguimos em direção ao estábulo. O cheiro de feno misturado ao couro das selas me envolveu de imediato, trazendo a sensação familiar de que, apesar de todas as confusões da vida, havia uma parte de mim que pertencia àquele lugar. Os cavalos relinchavam, ansiosos, como se pressentissem que seriam escolhidos para a cavalgada.
Catarina, sempre apressada, tratou de montar primeiro. Com agilidade, ajeitou as rédeas entre as mãos e me lançou um olhar cheio de malícia.
— Anda, cunhada, quero ver se você ainda lembra como cavalgar sem perder o equilíbrio.
Revirei os olhos e subi em meu cavalo com um movimento firme, ignorando a risada dela. O couro rangeu sob o peso, o animal bufou, e eu senti aquela velha emoção: a liberdade prestes a começar.
Seguimos lado a lado pelos caminhos de terra batida, o vento batendo em nossos rostos e o som dos cascos marcando o compasso. O cheiro da grama molhada pelo orvalho ainda pairava no ar, misturado ao perfume das flores do campo. Por alguns minutos, nos limitamos a aproveitar o silêncio, até que Catarina, claro, não resistiu.
— Melhor do que qualquer terapia, né? — disse, sorrindo, enquanto erguia o rosto para o sol.
— Com certeza. — respondo, rindo também. — Aqui, parece que a gente esquece de tudo.
Mas não esqueci. Não tinha como esquecer. Porque, mais adiante, no pasto que fazia divisa com a estrada de terra, minha atenção foi tomada por uma cena que fez meu coração disparar.
Taylor estava lá.
Montado em Diablo, e ao lado de Maurício, ele comandava os bois que haviam escapado para a fazenda vizinha. A postura dele era firme, cada movimento calculado, como se tivesse nascido para aquilo. Os músculos dos braços e das costas se contraíam a cada puxada de rédea, os olhos azuis estreitados sob a aba do chapéu, a mandíbula dura e concentrada. O cavalo obedecia a cada ordem com uma obediência impressionante, como se fosse apenas uma extensão do corpo do cowboy.
E eu… eu não conseguia desviar o olhar.
O suor fazia brilhar o peito bronzeado que a camisa aberta deixava exposto, e o jeito como ele controlava a situação, com autoridade e calma, me deixou completamente fascinada. Era impossível não se sentir arrebatada. Meu corpo reagiu sozinho: um calor subiu pela pele, a respiração acelerou, e de repente percebi que estava apertando as rédeas com força demais.
— Nossa, Lila Montgomery… — a voz de Catarina soou perto do meu ouvido, em tom malicioso. — Você está devorando o meu irmão com os olhos.
Sinto o rosto corar de imediato, como se tivesse sido pega em flagrante.
— Eu… eu não tô nada! — protesto, tentando soar convincente, mas sei que não consigo.
Ela ri alto, quase caindo do cavalo de tanto se divertir.
— Ah, claro. Você olha pra ele como se fosse a última gota d’água do deserto, mas não tá nada…
Mordo o lábio, tentando esconder o sorriso, e, para escapar do embaraço, puxo as rédeas com firmeza. O cavalo responde de imediato, disparando à frente, levantando poeira pela estrada.
Atrás de mim, Catarina gargalha alto, sem nem se dar ao trabalho de me seguir de imediato.
— Corre, cunhadinha! — grita entre risadas. — Mas não adianta fugir, porque eu sempre vou ver essa carinha vermelha quando ele aparece!
Eu respiro fundo, tentando controlar o coração que b**e acelerado, e deixo o vento gelado b**er no meu rosto. Mas, por mais que eu tente fugir, sei que a imagem de Taylor cavalgando continua queimando dentro de mim.
Eu deixo o cavalo avançar pela trilha, tentando afastar da mente aquela imagem de Taylor sério, firme, cavalgando com uma destreza que me deixa arrepiada da cabeça aos pés. Mas não adianta. Quanto mais tento, mais a cena volta, como se tivesse ficado gravada atrás das minhas pálpebras.
Dou um empurrãozinho de leve no braço dela, fazendo-a balançar na sela.
— Obcecada é você, que não tira o assunto da cabeça.
Ela só ri ainda mais alto, o som ecoando pelo campo como uma melodia alegre. O cavalo dela diminui o passo até igualar-se ao meu, e seguimos lado a lado outra vez. Por um instante, apenas o vento e o som dos cascos preenchem o silêncio.
Mas eu sei. Sei que Catarina não vai parar por aqui.
Ela se inclina de novo, baixando a voz para um sussurro conspiratório.
— Quer saber? Eu acho lindo. Ver você e o Taylor juntos. Você faz bem pra ele, Lila. Faz ele sorrir de um jeito que eu nunca vi antes.
As palavras dela me pegam desprevenida. O riso morre nos lábios, e sinto o coração acelerar de um jeito diferente, mais suave, mais profundo. Tento esconder o impacto, mas sei que meus olhos devem ter brilhado ao ouvir aquilo.
Desvio o olhar para frente, apertando as rédeas.
— Vem logo, Catarina. Vamos até o lago antes que escureça.
Arranco com o cavalo de novo, deixando-a para trás. Mas agora, ao invés de gargalhar, Catarina apenas sorri, observando em silêncio.
E eu… eu sigo adiante, tentando convencer a mim mesma de que não há nada demais em como meu coração dispara só de pensar nele.

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