A noite anterior ainda pairava no ar, doce e tranquila, como se o tempo tivesse se permitido desacelerar por algumas horas. A sala da fazenda estava cheia de vozes femininas, risadas suaves e o som de páginas sendo folheadas. Em meio a pilhas de revistas, catálogos de flores e amostras de tecidos, Lila, Isabella, Sophia e Catarina se reuniam ao redor da mesinha de centro, transformando aquele espaço simples num quartel-general de sonhos.
O relógio marcava quase nove da manhã, mas ninguém parecia ter pressa de encerrar a conversa. O cheiro de chá de camomila misturado ao perfume de lavanda vinha da cozinha, e do lado de fora o vento agitava as cortinas rendadas, como se até ele quisesse participar das confissões que pairavam no ar.
Lila, de vestido leve de algodão e cabelos presos num coque frouxo, soltou um suspiro dramático enquanto folheava uma revista de noivas.
— Eu não fazia ideia de que planejar um casamento envolvia tantas decisões. — murmurou, exasperada. — Tem tipo... duzentos tipos de flores, trezentas opções de vestidos e mil estilos de bolo! É tortura disfarçada de romantismo.
Sophia Miller, elegantemente sentada na poltrona ao lado, riu com a serenidade de quem já havia enfrentado batalhas parecidas. Com o cabelo em um coque impecável e o suéter lilás combinando com as pérolas nos brincos, parecia a própria personificação da calma.
— Querida, um casamento é o reflexo da alma da noiva. Cada detalhe fala sobre quem você é. — disse, sorrindo com ternura.
— Alma ou insanidade, ainda não decidi qual dos dois o meu está refletindo. — resmungou Lila, arrancando risadas das outras.
Isabella Montgomery, com o olhar carinhoso e o jeito sempre prático, brincava com uma amostra de tecido branco entre os dedos.
— O importante é que seja real, minha filha. Casamento não é desfile de moda. É uma celebração de amor — disse, com a voz doce, mas firme.
Lila ergueu os olhos e soltou um risinho nervoso.
— Isso é fácil de dizer quando vocês não precisam escolher entre rosa e tulipas para o buquê!
Dessa vez, até Catarina, que observava a cena em silêncio, riu baixo. Catarina vestia uma blusa branca leve e o cabelo estava preso num rabo de cavalo simples, mas o sorriso que ela lançava à cunhada era cheio de carinho.
— Calma, Lila. — provocou Catarina, inclinando-se no sofá e cruzando as pernas com um sorriso maroto. — No fim, você vai acabar escolhendo o que o Taylor gostar mais. Você faz tudo pra agradar o seu cowboy. — piscou, inocente como uma serpente prestes a atacar.
Lila ergueu uma sobrancelha, fingindo indignação, embora o rubor já começasse a subir-lhe pelas bochechas.
— Ele que não venha dar “pitaco”, já basta o que ele quase me aprontou ontem... — murmurou distraída, virando a página de uma revista, mas logo empalideceu ao perceber o que tinha acabado de dizer em voz alta.
O silêncio que se instalou foi breve, mas delicioso. Catarina, com aquele sorriso de quem sentia o cheiro do caos, não perdeu tempo.
— Como é que é? — perguntou, arqueando as sobrancelhas com teatral surpresa. — Quase te aprontou ontem?
— Catarina, pelo amor de Deus! — Lila tentou cortar o assunto, já rubra até as orelhas.
Sophia e Isabella se entreolharam, confusas, o tipo de confusão curiosa de mães que pressentem algo que não deveriam saber, mas que ao mesmo tempo querem saber tudo.
Catarina, claro, aproveitou o ensejo com a mesma alegria de quem encontra uma fofoca pronta para florescer.
— Eu disse que ele ia te deixar morrer na mão! — completou, se encostando no encosto da cadeira com um sorriso vitorioso.
— Catarina! — Lila exclamou, cobrindo o rosto com as mãos. — Pelo amor da Santa Lavínia das Noivas Nervosas, cala a boca!
Mas era tarde demais. O riso de Catarina já ecoava pela sala, e as duas mães trocaram um novo olhar agora entre incredulidade e divertimento.
— Espera aí… — começou Sophia, estreitando os olhos. — Morrer na mão? Catarina, você quer esclarecer isso antes que minha imaginação comece a trabalhar contra mim?
— Não! — respondeu Lila rápido demais, o que só aumentou o interesse das duas.
Isabella, tentando manter a compostura, pousou delicadamente a xícara de chá sobre o pires, embora o leve tremor na mão denunciasse o esforço em conter o riso.
— Acho que já entendi. — disse, corando, com a voz ligeiramente embargada. — Ela quis dizer que... que o Taylor é um homem prudente, não é, Lila?
— Isso! — respondeu Lila rápido demais. — Exatamente, prudente! Extremamente… ahm… consciente das circunstâncias.
Catarina, divertida, cruzou os braços.
— “Consciente das circunstâncias”? É assim que você chama um homem que não transa com a mulher porque ela tá grávida e tem “medo” de machucar o bebê?
O silêncio durou meio segundo. Depois disso, Isabella corou de um jeito que nem nas histórias antigas da fazenda alguém lembrava de tê-la visto.
— Oh, meu Deus do céu! — exclamou, levando a mão à boca, vermelha como um tomate maduro. — Filha, eu não precisava dessa informação…

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