A sala de jantar estava um verdadeiro espetáculo. Maria havia passado o dia inteiro nos preparativos e cada detalhe refletia o cuidado que ela dedicava àquela casa e àquela família. A mesa comprida, coberta com uma toalha de linho branco impecável, exibia travessas fumegantes e coloridas: carne de panela com batatas douradas, arroz soltinho, farofa crocante, legumes grelhados, pão de queijo quentinho e uma torta de maçã que perfumava o ar com um aroma doce e reconfortante.
As velas acesas tremulavam suavemente, refletindo nas taças de cristal e criando um brilho cálido, quase mágico. O ambiente exalava aquele tipo de calor que não vinha apenas da comida, vinha da sensação de pertencimento, de laços que se fortaleciam ao redor daquela mesa.
— Está tudo lindo, Maria. — elogiou Sophia, com um toque de emoção na voz, pousando a mão sobre o ombro da cozinheira.
Maria, de avental impecavelmente branco, enxugou discretamente uma lágrima com o canto do dedo e sorriu.
— Foi feito com o coração, dona Sophia. Esse jantar é pra comemorar a vida.
Do outro lado da sala, Catarina ajeitava o vestido, com as mãos inquietas. Ao lado dela, Maurício parecia um homem prestes a enfrentar uma tempestade, ou talvez um touro bravo. Ele mexia no relógio, respirava fundo e desviava o olhar para Taylor, que o observava com um sorriso discreto e provocador.
Os dois haviam combinado mais cedo de cavalgar pela manhã até o riacho. Seria o momento ideal, longe da movimentação da casa, cercados apenas pela natureza, para Maurício pedir a mão de Catarina em casamento. Mas agora, diante da família reunida, o peso do plano parecia dobrar sobre seus ombros.
Taylor inclinou-se ligeiramente na cadeira e murmurou baixo o suficiente para só o cunhado ouvir:
— Relaxa, cara. O meu pai até parece bravo, mas é um doce… depois de duas taças de vinho.
Maurício lançou-lhe um olhar fulminante.
— Você não ajuda.
Taylor ergueu a taça, divertido.
— Eu tô tentando. O que você precisa é coragem… e um gole a mais.
Catarina olhou para os dois, desconfiada.
— O que vocês estão cochichando aí?
— Estratégias de sobrevivência. — respondeu Taylor, rindo, o que fez Maurício bufar e apertar a mão dela sob a mesa.
As risadas começaram a se espalhar quando todos se acomodaram. Lila estava entre Taylor e a mãe, enquanto James e Gabriel conversavam animadamente sobre cavalos e negócios rurais. Isabella e Sophia trocavam confidências e risadinhas cúmplices, aquelas típicas de mães que já sabem mais do que aparentam.
Maria serviu o vinho, e o aroma das travessas recém-postas tomou conta da sala. Taylor olhou para Lila e, discretamente, tocou sua mão debaixo da mesa.
— Preparada? — murmurou, com um meio sorriso.
— Acho que sim — respondeu ela, com o coração disparado.
O som das conversas foi se misturando a risadas, brindes e talheres. O clima era leve, quase perfeito. Taylor então pigarreou, chamando atenção.
— Eu… queria dizer algumas palavras — começou ele, a voz firme, mas carregada de emoção. O olhar percorreu a mesa, parando em cada rosto querido. — Ter todos vocês aqui, na fazenda, é um presente.
Lila o observava com um sorriso contido, a mão trêmula sobre o colo.
— Essa fazenda foi o lugar onde encontrei paz depois de muito tempo — continuou ele. — Mas confesso que sempre faltou alguma coisa, mas agora… — Taylor sorri desviando os olhos para Lila que cora. — não falta mais nada.
Sophia piscou rápido, tentando disfarçar a lágrima que teimava em aparecer. Gabriel trocou um olhar cúmplice com James. Maurício, por sua vez, já estava prestes a derrubar a taça de vinho de nervoso, e Catarina tentava conter o riso.
— Lila mudou minha vida. — Taylor fez uma pausa, o olhar se suavizando ao encarar a esposa. — E agora… nós vamos começar um novo capítulo.
Lila respirou fundo. As duas famílias se inclinaram para frente, curiosas.
— Nós vamos ter um bebê — disse ela, com a voz trêmula, mas firme.
O silêncio durou apenas um segundo. O suficiente para o peso da notícia explodir em emoção.
Sophia, que até então ouvia atenta, levou a taça aos lábios para brindar, mas assim que ouviu as palavras de Lila “nós vamos ter um bebê”, o gesto congelou no ar. O vinho desceu torto, e ela se engasgou de leve, tossindo uma, duas vezes, com os olhos já marejando.
— O quê?! — conseguiu dizer entre um pigarro e outro, colocando a taça sobre a mesa com as mãos trêmulas. — Um bebê?!
Lágrimas começaram a escorrer antes mesmo que ela tentasse contê-las. O semblante elegante se desfez em pura emoção.
— Meu Deus… meu neto! — murmurou, levando as mãos à boca. — Eu vou ser avó!
Maria correu para entregar um guardanapo, mas Sophia já ria e chorava ao mesmo tempo, completamente tomada pela alegria.
— Eu sabia que tinha algo diferente nesse brilho de vocês dois! — disse, com a voz embargada. — Lila, querida, isso é o maior presente que podiam me dar.

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