O silêncio dentro da caminhonete era intenso.
Taylor dirigia com os olhos fixos na estrada. Apertava a mão com tanta força que era possível ver os nós dos dedos esbranquiçados ao redor do volante. O maxilar estava trincado e a sua respiração estava pesada.
Lila estava sentada no banco do passageiro com as pernas cruzadas, o vestido rosa subia perigosamente acima das coxas a cada curva. Ela mantinha o queixo erguido, mas os olhos ardiam. De raiva, de orgulho, de algo que ainda não queria nomear. Ele a tinha a beijado e maldição, ela desejava por mais.
Por Deus, Lila, foi apenas um beijo. Ele a beijou apenas para lhe calar , não caia na dele garota, homens como Taylor são manipuladores natos. — pensou.
Lila desviou o olhar para Taylor e ele permanecia sério e… irritado?
— Você queria atenção? Conseguiu. Está em todos os sites de fofoca. Os acionistas já ligaram. Sua mãe desmaiou e seu pai está furioso. Já o meu pai, está dizendo que foi um “teste de imagem”. Parabéns, você é um sucesso.
— Não estou tentando agradar sua família, nem a minha. — disse ela, jogando os cabelos para trás. — Eu fui pra boate porque precisava respirar. E, adivinha? Gente como você… asfixia.
Taylor virou de uma vez numa estrada secundária, saindo da avenida movimentada e entrando numa rua mais escura, isolada. Parou a caminhonete bruscamente ao lado de um campo fechado, com o motor ainda roncando baixo.
Lila se virou, furiosa e assustada.
— O que é isso agora? Vai me dar uma lição de moral?
Ele desligou o motor, virou-se para ela devagar.
— Não, Lila. Agora a gente vai ter uma conversa… sem plateia, sem câmera. Só eu e você.
— Você acha que pode mandar em mim só porque sua família combinou esse casamento ridículo com a minha?
— Eu não quero mandar em nada, Lila. Mas já que vai levar meu sobrenome… então aprenda a respeitar o nome que vai carregar.
— Eu não sou um cavalo que você pode domar, Taylor.
— Não. Você é um furacão. Um furacão mimado que se acha intocável porque cresceu cercada de empregados e convites para bailes.
— E você é o boiadeiro arrogante que acha que gritar resolve tudo!
— Você quer saber o que mais me irrita, Lila?
— Não. Mas imagino que vai me contar mesmo assim.
— O fato de que, mesmo depois de toda sua pose, toda essa sua rebeldia teatral… quando eu te beijo… você treme.
Lila ficou vermelha e por um momento sua respiração falhou.
— Vai pro inferno!
— Já tô nele, desde que te conheci..
— Vai se ferrar Taylor!
— Eu não terminei, você precisa me ouvir!
— Ótimo. Então fala. Desembucha. Me diz o quanto me odeia. O quanto acha que sou fútil, mimada, impossível. Vai, despeja logo, cowboy.
Taylor se inclinou levemente. Os olhos azuis dele queimavam com uma intensidade que não era raiva, era algo mais denso, mais inquietante. Lila sentiu o corpo responder antes da mente racional acompanhar. O coração acelerou e o ar pareceu mais pesado dentro da caminhonete silenciosa.
— Eu não te odeio, Lila — ele disse, com a voz baixa, grave, rouca de contenção. — E é isso que me deixa mais puto.
Ela piscou e por um segundo, sua fachada vacilou.
— Como é?
— Eu não te odeio — repetiu, mais devagar. — Eu queria. Deus sabe o quanto eu queria. Você provoca, desafia, insulta. Me empurra pra longe e mesmo assim... você me puxa de volta sem nem perceber.
Lila engoliu em seco. Tentou manter a compostura, mas a voz dele parecia arranhar por dentro, desarmar todas as barreiras com um simples olhar.
— Não seja dramático, Remington. Você me odeia, sim. A gente se detesta. Está tudo certo.
— Você realmente acredita nisso?

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