Taylor saiu da sala como um vendaval. Sua respiração estava pesada e os ombros estavam tensos, era perceptível a cada passo que ecoava no assoalho de madeira. A mão grande alcançou o casaco pesado pendurado no cabide perto da porta, os dedos seguraram com força o tecido ainda frio. Assim que girou a maçaneta, o vento gelado da noite invadiu o ambiente como uma bofetada, carregando consigo respingos grossos de chuva e o cheiro forte, quase selvagem, de terra molhada.
O céu, que horas antes tingia o horizonte com tons de dourado, agora estava completamente tomado por um manto espesso e sombrio de nuvens pesadas. A última réstia de luz havia desaparecido, engolida pela tempestade que rugia sem piedade. A água caía em cortinas grossas, golpeando o chão e encharcando tudo no instante em que tocava.
Sem hesitar, Taylor atravessou o terreiro a passos largos. A lama respingava no jeans guardando nas suas botas. Cada passo era acompanhado pelo estrondo distante, e às vezes assustadoramente próximo dos trovões que cortavam o silêncio entre os rugidos do vento. O estábulo surgiu à sua frente, e a sua silhueta era vista, pela luz intermitente dos relâmpagos. Ele empurrou a porta de madeira e entrou.
O ar lá dentro estava impregnado pelo calor abafado de palha úmida e couro molhado. O cheiro era característico, misturado ao vapor que escapava das narinas dos cavalos. Olhou para a baía de Diablo, e a confirmação dele não estar lá deixou o coração de Taylor ainda mais apertado.
— Droga, garota, o que você tem nessa cabeça?
Sem perder tempo, ele foi direto à baia de Trovoada, o cavalo de Maurício. Trovoada, era um cavalo castanho robusto, de olhar atento e músculos firmes, um animal que conhecia e confiava em qualquer situação.
— Vamos, garoto… — murmurou, com a voz baixa, mas carregada de urgência.
Suas mãos, que eram treinadas, trabalharam rápido, ajustando a sela com firmeza apesar da pressa. O barulho do couro sendo puxado e preso às argolas se misturava ao ribombar dos trovões que ecoavam como tambores ao longe. No fundo, enquanto ajustava as rédeas, sua mente fervia como água prestes a transbordar.
O que deu nela pra fazer uma idiotice dessas?
Não era apenas raiva que queimava dentro dele. Era medo. Diablo não era um cavalo para iniciantes, tinha força demais, velocidade demais, e um temperamento próprio que exigia respeito absoluto. Em terreno seco, ele já era um desafio, com o chão escorregadio e a chuva pesada, qualquer erro poderia acabar em desastre.
— Por Deus, que ela não se machuque!
Em menos de dois minutos, Taylor já estava montado. O corpo se inclinou levemente para frente, sentindo a energia acumulada em Trovoada, como se o animal também entendesse a urgência. Um toque nas rédeas e eles saíram disparados do estábulo, cortando a cortina de chuva. As gotas geladas atingiam o rosto de Taylor como agulhas, escorrendo pelo pescoço e encharcando a camisa em segundos.
O vento uivava entre as árvores, arrancando folhas e fazendo os galhos vergarem. O campo se abria à frente como um oceano ondulante de grama alta e pesada de água, cada passo das patas de Trovoada afundando no solo encharcado, levantava lama.
Taylor mantinha o corpo baixo, os olhos semicerrados, a fim de proteger o rosto da água que caia de maneira torrencial. A cada curva do terreno, o olhar percorria a escuridão e a névoa da chuva, buscando um traço, um movimento, qualquer sinal dela.
— Vamos, Lila… onde diabos você foi se meter? — resmungou entre dentes, com a voz quase engolida pelo rugido do vento.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casamento Forçado: O Cowboy com quem me casei era Bilionário