A sala de jantar estava tomada por um calor acolhedor, iluminada pelo tom âmbar das lâmpadas pendentes e pelo reflexo suave das velas dispostas em candelabros sobre a mesa. O cheiro inconfundível de comida caseira, preparado com paciência e afeto, envolvia o ambiente. Maria, como sempre, havia se superado não apenas no sabor, mas também na apresentação. Travessas fumegantes ocupavam o centro: arroz soltinho que parecia brilhar sob a luz, feijão temperado no ponto exato, carne assada lentamente até atingir aquela maciez que quase se desfaz ao toque do garfo, saladas coloridas com folhas viçosas e tomates que ainda carregavam o perfume do jardim. No centro, como coroa da fartura, um pão de queijo ainda exalando seu aroma irresistível, recém-saído do forno. Da cozinha, o cheiro de café fresco completava a cena, prometendo fechar a refeição com chave de ouro.
Amanda entrou na sala com um sorriso que beirava o calculado, embora à primeira vista parecesse espontâneo. Os olhos brilhavam não apenas pela luz, mas pelo objetivo nítido que carregava. Escolheu seu lugar sem titubear, ao lado de Taylor. Não pediu permissão, não perguntou se havia outro arranjo pensado. Apenas puxou a cadeira com a leveza de quem se considera no direito de estar ali e sentou-se, inclinando-se levemente para ele, apoiando o cotovelo na mesa e projetando o corpo de forma a diminuir qualquer espaço entre os dois.
— Você lembra daquela vez… — começou ela, com a voz melosa e cheia de um entusiasmo estudado.
Em segundos, a narrativa dela arrancou uma gargalhada grave de Taylor, que ecoou pela sala com força, preenchendo o ambiente e atraindo olhares.
Catarina, sentada de frente para eles, se inclinou, curiosa e divertida.
— Não acredito que você fez isso, Amanda! — disse, rindo e balançando a cabeça, como quem revive memórias boas.
Amanda ria junto, gesticulando com as mãos de forma expansiva, fazendo com que sua presença dominasse o espaço. Falava de uma confusão que havia vivido numa festa da cidade, cheia de detalhes vívidos, tornando impossível não se deixar levar pela narrativa. Taylor ouvia com atenção, com os olhos semicerrados e um sorriso largo que deixava claro que ele estava se divertindo.
Do outro lado da mesa, Maurício permanecia calado. Mastigava devagar, com o olhar circulando entre Amanda, Taylor e… Lila. Observava como quem lê um livro cujo final já conhece.
Lila, por sua vez, sentia cada risada de Taylor como uma agulha cravando mais fundo na pele. A colher repousava no prato esquecida, enquanto ela tentava manter a compostura. A postura ereta e o semblante sereno eram quase uma máscara, por dentro, uma tempestade fervia. Amanda tinha se sentado ao lado dele sem o menor pudor, e ele… ele não demonstrava o mínimo incômodo.
Foi então que um trovão distante fez a vidraça vibrar levemente, prenunciando o que estava por vir. Logo depois, o som das primeiras gotas começou a cair sobre o telhado, tímidas a princípio, mas ganhando força até se transformar num tamborilar constante e pesado.
Amanda franziu os lábios num biquinho que parecia calculado para soar infantilmente encantador.
— Ah, que pena, cowboy… acho que a nossa ida à cachoeira hoje à noite não vai rolar.
Taylor virou o rosto para ela, um riso baixo escapando.
— E você é feita de açúcar? Chovendo é melhor ainda.
Amanda sorriu mais largo, mordeu o lábio inferior e se inclinou, encurtando ainda mais a distância.
— Acho que vou ter que pensar a respeito.
Lila sentiu o calor subir pelo rosto, um rubor que queimava como se estivesse exposta ao sol de meio-dia.
— Com licença… — disse num tom controlado, quase frio. Levantou-se devagar, fazendo questão de não demonstrar pressa, e caminhou para fora da sala com passos firmes.
Taylor desviou o olhar para ela, com a expressão carregando por um instante algo que poderia ser confusão ou preocupação. Mas antes que pudesse dizer qualquer coisa, Amanda pousou a mão em seu braço de forma sutil.
— Espera, você precisa ouvir isso. — disse, engatando outra história com naturalidade ensaiada.
Maurício, sentado do outro lado da mesa, soltou um suspiro e revirou os olhos, largando o guardanapo sobre o prato. Levantou-se em silêncio, já prevendo o rumo daquela noite.
Lá fora, Lila respirou fundo como se o ar dentro da casa tivesse se tornado irrespirável. A chuva caía mais forte agora, fria e pesada, encharcando seu vestido branco em segundos, mas ela não se importou. O som ritmado dos pés descalços contra o cascalho ecoavam enquanto atravessava o terreiro. Não queria ouvir risadas. Não queria ver olhares cúmplices. Queria distância. Dele. Dela.
Chegou aos estábulos com passos decididos, empurrou a porta de madeira e foi recebida pelo cheiro quente e úmido de feno, misturado ao som suave dos cascos sobre a palha. Diablo estava lá, imponente, com sua pelagem negra reluzindo mesmo sob a pouca luz, com os olhos atentos fixos nela como se entendesse cada pensamento.
Lila se aproximou e, pela primeira vez naquela noite, sorriu.
— Pelo menos você me entende… — sussurrou, acariciando a crina do animal.
Com movimentos rápidos e precisos, prendeu a sela, enquanto Diablo permanecia imóvel, como se soubesse o que estava por vir. Minutos depois, ela já estava montada.
O portão se abriu, e o cavalo disparou pelo campo aberto sob a chuva torrencial. As gotas geladas cortavam seu rosto, colando-lhe os cabelos à pele, o vestido branco grudando no corpo como uma segunda pele. Mas nada importava. A mistura de vento, água e o som ritmado dos cascos contra o chão formava um mundo onde ela podia respirar de novo.
Do alpendre lateral, Maurício avistou a silhueta branca se afastando montada no cavalo negro. Passou a mão pelos cabelos molhados e soltou um suspiro pesado.
— Arriégua… essa garota só pode ser maluca. — murmurou.
No fundo, sabia que não era loucura. Era ciúme e a necessidade urgente de se afastar para não explodir.
Quando voltou para dentro, com o casaco encharcado e as botas marcando o piso de madeira com pequenas poças. Sua expressão era séria e o tom grave da sua voz fizeram todos na mesa levantarem os olhos.

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