Ela se lembrou da noite em que o resultado do DNA saiu, três meses atrás.
Alberto mandou alguém entrar em contato com os pais biológicos dela.-
O pai biológico dela lecionava matemática no ensino médio, enquanto a mãe trabalhava como subgerente numa empresa pública. Alberto entregou cem mil reais para manter contato entre as duas famílias, como compensação pela troca das filhas na maternidade.
O dinheiro foi aceito.
Mas a garota foi rejeitada.
Sara entregou um número a ela. Helena juntou muita coragem e ligou para aquele telefone desconhecido.
A mulher do outro lado da linha ficou em silêncio por um longo tempo e finalmente disse: — Você já tem vinte anos, já está grande... A gente estava pensando em adotar o seu primo, filho do seu tio. Nós criamos a Sara achando que era nossa, mimamos desde pequena e nunca sentimos que ela fosse da família. Você cresceu na casa dos outros... seria ainda pior.
Seria pior.
A moto saiu da calçada da Mansão Rezende e entrou na rodovia no pé da montanha.
O vento estava forte. O brilho dos postes piscava na viseira do capacete. Encolhida atrás de Matheus, Helena via as sombras das árvores passarem rápido, sentindo-se à deriva sem nenhum destino certo.
——
Cartório de Registro Civil de Porto Real.
Estava quase na hora de fechar. Os funcionários guardavam as coisas e se surpreenderam quando os dois entraram.
— O que desejam?
— Registro de casamento — disse Matheus.
O funcionário olhou para ele e depois para Helena, atrás dele — ela ainda não tinha tirado o capacete, o cabelo estava bagunçado, os olhos vermelhos e inchados, o rosto pálido. Parecia ter acabado de chorar.
— Moça... você está aqui por vontade própria?
Helena era muito bonita. Mesmo abatida, ainda parecia uma grande estrela. Com medo de que ela estivesse sendo forçada por aquele homem forte, o funcionário perguntou de novo.
Helena tirou o capacete e assentiu: — Por vontade própria.
O funcionário olhou para Matheus mais uma vez. Talvez tenha achado que, embora ele tivesse uma cara feia, era indiscutivelmente bonito, então não perguntou mais nada e pegou um formulário.
O funcionário entregou os dois livretos vermelhos: — Parabéns.
Matheus os pegou e entregou um a Helena.
Helena baixou a cabeça e encarou a certidão de casamento, com capa vermelha e letras douradas. Abriu e viu as fotos e os dados dos dois lá dentro.
Helena Rezende, mulher, vinte anos.
Matheus Ferraz, homem, vinte e cinco anos.
Ela encarou o livreto por um bom tempo. De repente, sentiu que aquilo era irreal.
Naquela manhã, ainda era a filha da Família Rezende. Mesmo não sendo de verdade, ela pelo menos tinha uma casa. Bebeu um copo de água no almoço, dormiu um pouco, e, quando acordou, tudo virou de cabeça para baixo.
Agora, era a esposa de Matheus.
A esposa de um homem que ela conhecia há menos de quinze dias e com quem tinha trocado menos de dez palavras.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com Guarda Frio, Sou Mimada com Todo Seu Amor