No dia seguinte, quando Helena acordou, sentiu como se tivesse sido atropelada por um caminhão, com todos os ossos do corpo gritando de dor.
Especialmente a cintura e as pernas, que estavam tão moles que até virar de lado era difícil.
Ela passou a mão na barriga e pensou que estava tudo bem; agora o toque era macio e, diferente da noite passada, ela não sentia formato algum.
Antes de desmaiar ontem à noite, Helena até duvidou se ficaria grávida… embora ele estivesse usando camisinha.
Na questão de segurança, Matheus era muito cuidadoso. Ele era um homem responsável e queria esperar que suas condições financeiras melhorassem antes de deixar Helena engravidar.
Ela abriu os olhos ainda sonolenta e olhou para o despertador no criado-mudo: já eram doze horas.
O quarto estava silencioso e Matheus não estava mais na cama.
Helena forçou o corpo dolorido a se sentar e notou que vestia um pijama limpo; os lençóis também haviam sido trocados e exalavam um aroma leve de sabão.
Assim que estava prestes a sair da cama, ouviu de repente um barulho lá fora.
— Devagar, devagar, cuidado com o batente.
— Um pouco mais para a esquerda, isso, pode entrar!
Era a voz de Matheus, misturada à conversa de homens desconhecidos e passos pesados.
Helena piscou surpresa, rapidamente calçou seus chinelos de coelhinho, vestiu um casaco por cima dos ombros, abriu a porta do quarto e saiu.
Na sala, dois entregadores em uniformes azuis carregavam com cuidado uma imensa caixa de papelão em direção à cozinha.
Matheus estava ao lado, coordenando tudo. Ele usava um moletom preto simples com as mangas arregaçadas até os cotovelos, revelando os antebraços fortes e delineados.
Matheus se aproximou, olhou com atenção e assinou depois de confirmar que estava tudo em ordem.
Após a saída dos funcionários, Helena correu ansiosa para a cozinha, deu duas voltas ao redor da nova geladeira passando a mão ali e aqui, com o rosto cheio de uma alegria que não conseguia disfarçar.
— Essa cor é linda, combina perfeitamente com a bancada da nossa cozinha. — Ela puxou a porta da geladeira e olhou para o amplo espaço interno, com os olhos radiantes. — Capacidade de duzentos e cinquenta litros, tanto a parte de resfriamento quanto o congelador são enormes; dá pra gente usar por muito tempo!
Ela virou o rosto e olhou para Matheus, que estava recostado no batente da porta da cozinha: — Amor, quanto custou essa geladeira?
— Dois mil e oitocentos. — Matheus respondeu tranquilamente.
Helena fez as contas rapidinho na cabeça. Somado aos gastos do supermercado, as despesas deles nestes dias de mudança foram pesadas. Mas, ao ver a geladeira bonita ali, ela achou que cada centavo tinha valido a pena.
— Precisa deixar duas horas parada antes de ligar na tomada. — Matheus foi até ela, afastou-a da geladeira e apertou de leve as bochechas dela, que ainda estavam um pouco quentes. — Está com fome, não é? Vá lavar o rosto, eu fiz macarrão.

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