Esse pequeno quintal de trinta metros quadrados ainda estava vazio. Tirando uma espreguiçadeira de vime, dois vasos grandes de cerâmica vazios e a prateleira de madeira encostada na parede que ela tinha acabado de enfeitar, não havia quase nada no resto do espaço.
Mas esse era o lugar favorito de Helena.
Ela podia arrumar o quintal aos poucos, deixando-o exatamente do jeito que queria.
Ela ergueu a cabeça e olhou para os dois vasos grandes de cerâmica vazios. Dona Lúcia havia dito antes que não os queria mais e os deixou para uso dos inquilinos.
Helena pensou por um instante. Os vasos eram grandes o suficiente e não podiam ser desperdiçados.
As rosas já estavam compradas, as suculentas também. O que mais ela poderia plantar?
Ela pensou um pouco e, de repente, seus olhos brilharam.
Tulipas.
A ideia a animou imediatamente.
As tulipas precisavam ser plantadas no outono e inverno para florescerem na primavera. Ela se lembrou de que, no quintal da mansão do vizinho, havia um mar de tulipas todos os anos entre março e abril. Vermelhas, amarelas, roxas e brancas, todas agrupadas, o que era muito bonito.
Ela pegou o celular e abriu o navegador para pesquisar bulbos de tulipa.
Ela encontrou várias lojas especializadas em bulbos importados da Holanda, e os preços não eram muito caros, variando entre dez, quinze e vinte pratas a unidade.
Aquele era o momento ideal para o plantio, e os vendedores especificaram: 'Plante agora e veja florescer no final de março e começo de abril.'
Quanto mais Helena olhava, mais tentada ficava.
Ela calculou mentalmente que os dois vasos de cerâmica podiam comportar cerca de sete a oito bulbos cada.
Ela poderia escolher três ou quatro cores diferentes para misturá-las. Assim que aquele canteiro de tulipas rosas, amarelas e brancas se abrisse, o quintal inteiro ganharia vida.
Ela já conseguia imaginar a primavera chegando, quando sentaria na espreguiçadeira com as tulipas espalhadas pelos grandes vasos de cerâmica à sua frente, exalando um perfume envolvente.
Só de pensar naquilo, ela quase deu uma risada.
Ela estabeleceu um pequeno plano silencioso: quando Matheus voltasse à noite, conversaria com ele para escolher e encomendar os bulbos. Como aqueles dias ainda eram propícios para o plantio, os plantaria o mais rápido possível.
Helena guardou o celular e agachou-se em frente à prateleira para observar as rosas por mais um tempo.
Naquele instante, ela ouviu passos vindos do caminho de fora.
Desta vez, não parecia ser alguém passando, e sim alguém diminuindo o ritmo e parando em frente ao quintal.
Helena ergueu os olhos e viu um estranho com a cabeça inclinada, espiando o interior de seu quintal.
Como o condomínio não era tão grande, o grupo no Facebook era bem movimentado, e quase todo mundo se conhecia.
A maioria dos moradores vivia ali, mas alguns se mudaram para condomínios mais nobres e alugavam suas casas, como Dona Lúcia, a senhoria de Helena e Matheus.
Os proprietários costumavam ser um pouco preconceituosos com os inquilinos.
Morar em outros andares até que ia, mas viver no térreo significava perder um pouco de privacidade, apesar do quintal.
Depois que aquelas duas senhoras conversaram com Helena no dia anterior, foram logo fofocar e exagerar no grupo, dizendo que um casal jovem havia se mudado. Comentaram que a esposa era linda, disseram ser universitária, mas, por ser tão deslumbrante, questionaram se era, de fato, uma estudante respeitável.
Passava das onze da manhã do dia seguinte, e Helena estava na cozinha preparando macarrão com ovo.
De repente, a campainha tocou.
Ela correu para abaixar o fogo e correu para abrir a porta, arrastando suas pantufas de coelho.
Na porta, havia um entregador usando um uniforme azul-acinzentado.
— Helena Rezende? — O entregador checou o formulário em sua mão. — Forno Convector Pro-Chef da Chef d'Or, uma unidade, preciso da sua assinatura.
— Sou eu! — Os olhos de Helena brilharam.
Era o produto da parceria que a Chef d'Or enviara. Ela não esperava que chegasse tão rápido.
— É grande e pesado — o entregador apontou para a caixa de papelão. — Quer que eu leve para a sala para a senhora?
— Por favor. — Helena rapidamente abriu espaço na porta.
O entregador colocou a caixa de papelão na sala. Ela assinou, o acompanhou até a saída e fechou a porta.
Apenas ela estava na casa.
Helena parou na frente da grande caixa de papelão e, com as mãos na cintura, analisou-a por um tempo.
Matheus tinha ido para a empresa antes do amanhecer novamente. Nos últimos dias, ele estava ocupado a ponto de só voltar por volta das oito ou nove da noite, e havia comentado que a empresa estava preparando um grande projeto.

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