Helena foi ao supermercado depois de comer.
Os supermercados comuns não tinham os produtos de confeitaria que ela precisava. Ela tinha que ir ao Empório Select, e calhava de ter um a menos de dois quilômetros do condomínio, bastando pegar um táxi.
O Empório Select ficava no andar subterrâneo de um grande shopping. Não era muito grande, mas os itens ali eram praticamente todos de marcas importadas: laticínios, ingredientes de confeitaria, comidas congeladas, temperos, doces e salgadinhos... O preço era bem mais salgado que os dos supermercados comuns, mas os produtos venciam na qualidade e na variedade.
Helena pegou um carrinho e foi direto para a área de laticínios.
Pegou três tabletes de manteiga: dois de manteiga fermentada de uma marca francesa, cada um com 225 gramas, por 38 pratas a unidade, para fazer os biscoitos normais e os recheados; e um de manteiga sem sal neozelandesa, de 454 gramas, por 56 pratas, para os bolos e pães.
Ela também pegou duas caixas de leite integral, uma de creme de leite, um pacote de queijo e uma caixa de cream cheese. Ainda não tivera a chance de fazer cheesecake, e o Forno Convector Pro-Chef novo seria inaugurado com isso.
Depois, foi para os ingredientes de confeitaria.
Lá escolheu um pacote de farinha com baixo teor de glúten, outro com alto, e saquinhos de farinha de amêndoa, cacau em pó, leite em pó, fermento químico e fermento biológico.
Na área das nozes e frutas cristalizadas, agarrou um pacote de cranberries desidratadas, um de uvas-passas, um de amêndoas fatiadas e um saquinho de gotas de chocolate amargo. Os biscoitos ficariam mais saborosos com as frutas e o chocolate.
Por fim, ainda pegou uns itenzinhos mais difíceis de se achar, como essência de baunilha francesa, sal marinho, rolos de papel-manteiga e sacos de confeitar.
O carrinho ficou lotado.
Helena empurrou o carrinho e foi para a fila do caixa, onde a funcionária passou o leitor nos códigos de barras antes de cobrar:
— Deu trezentos e noventa e seis pratas.
Helena piscou.
Helena pensou para si mesma que comprar ingredientes para confeitaria realmente custava uma fortuna.
Ela pagou e dividiu os ingredientes em duas grandes sacolas.
Quando saiu, o céu começava a escurecer. O inverno era assim, por volta de quatro a cinco horas da tarde, o sol já começava a se pôr.
Helena pegou um táxi e voltou para o Residencial Magnólias.
Ao chegar, já eram quase cinco.
Ela abriu o portão de ferro e carregou as sacolas até a sala. Os pacotes estavam pesados, deviam ter uns cinco quilos no total.
Ela soltou um suspiro ao colocar as sacolas no chão, esfregando o próprio braço.
A geladeira havia passado por um tempo de repouso antes de ir para a tomada, então já podia ser usada.
Ela foi separando as coisas.
Matheus tinha desmontado a cama quando chegaram; o móvel já estava velho e gasto e era bom jogar fora.
Matheus entrou em contato com a dona do apartamento, que falou para deixarem no porão.
Por isso, restavam apenas o guarda-roupa e a mesinha ali.
Helena entrou e olhou tudo com calma.
Voltado para o norte, a luminosidade do cômodo não era a melhor, mas pela tarde as janelas permitiam que os raios adentrassem sobre as paredes. Seria ótimo para usarem como área de trabalho.
Livros lidos por Matheus podiam ser vistos sobre a mesa; 'Na Crista da Onda', 'A Startup Enxuta', 'Jack Welch — A Autobiografia'... Helena gostava mais de romance.
Helena logo pensou em deixar aquele lugar como escritório dos dois.
Contudo, decidiu não contar a Matheus por agora.
Matheus passara dias ocupado; saía pela manhã, pouco antes das seis, e voltava perto das oito e nove horas; os olhos sempre carregados por uma sombra negra.
Ele não falava sobre, e ela também não, porém estava óbvio que devia ter acontecido algo com a empresa e que ele estaria trabalhando duro.
Ela não queria dar mais trabalho para ele no momento; cuidaria daquilo ela mesma já que estava com tempo sobrando.

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