Helena recebeu uma mensagem de Matheus. Ao ver que ele havia recebido a pizza sem problemas, ela ficou mais tranquila e começou a comer a parte que tinha guardado para o próprio almoço.
Mal havia dado duas mordidas quando o celular vibrou novamente.
Dessa vez, era Isadora ligando.
Helena engoliu o que estava comendo e atendeu depressa.
— Isadora —
— Helena — a voz de Isadora também soou apressada —, você está livre esta tarde?
— Estou — Helena assentiu. — Eu ia justamente preparar uns cookies e um bolo para levar para o Leo mais tarde.
— Então não precisa levar — Isadora disse, rindo. — Eu vou dirigir com o Leo até aí de tarde. A gente dá uma volta juntos pela sua área. O corretor me ligou hoje de manhã sobre aquele apartamento no Residencial Gardênia que eu e o Gabriel fomos ver. Disse que o dono topou baixar um pouco. Queria que você desse uma olhada para mim também.
Helena piscou, surpresa: — Dirigir? Você sabe dirigir?
Isadora soltou uma exclamação do outro lado: — Mas que pergunta. Eu tirei a carteira bem antes do Gabriel. Quando viajava a trabalho, eu que dirigia para o chefe. Ele deixou o carro comigo hoje e foi de metrô para a delegacia.
Helena murmurou um "ah", um sentimento de inveja leve bateu no peito dela, desejando também poder dirigir e sair sem depender de táxi.
Enquanto morava com os Rezende, nunca precisou aprender a dirigir. Sempre tinha um motorista à disposição para levá-la à escola e a qualquer lugar. Nunca sequer cogitou a ideia de aprender.
Mas agora era diferente.
Ela passava mais tempo sozinha em casa; Matheus estava ocupado com a empresa, e ela precisava ir ao supermercado, às lojas de móveis, à faculdade... Sempre tinha que pegar táxi ou ônibus. Com o tempo, só o gasto com transporte já era considerável.
Às duas e quarenta da tarde, a campainha tocou.
— Moça! — Assim que viu Helena, Leo se soltou da mão da mãe e correu a passos rápidos, abraçando as pernas dela.
— Leo — Helena se agachou, abraçando-o e apertando as bochechas rosadas e geladas de frio. — Sentiu saudade?
— Senti! Muita! — Leo assentiu com força. — A mamãe disse que a gente vinha na casa da Moça hoje! Eu estou esperando desde ontem!
— Puxa, então olha só o que eu preparei para você. — Helena tirou a lata de cookies da sacola de papel e abriu a tampa.
Assim que foi aberta, o aroma misto de manteiga e cranberry transbordou. Os olhos de Leo se arregalaram no mesmo instante.
— Uau! — Os olhos dele brilhavam como duas pequenas estrelas.

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