Após passarem pela seção de artigos para o lar, Helena já carregava duas sacolas.
Uma continha as Tigelas de Porcelana Carpa Imperial beges, e a outra, a redonda Bomboniere de Cristal e a Luminária de Cabeceira. Estava de ótimo humor, caminhando com mais leveza. Seus passos pelo piso polido do shopping pareciam dar pulinhos involuntários.
Matheus caminhava ao seu lado e pegou instintivamente as duas sacolas.
Ao saírem da seção de casa, os dois subiram para o segundo andar.
O segundo andar era a área de vestuário.
Com o fim de ano chegando, todas as marcas haviam montado as suas exposições de fim de ano. As portas estavam cobertas de decorações vermelhas e douradas, e os manequins nas vitrines exibiam os novos modelos da estação. Havia mais pessoas do que o normal, e os promotores na escada rolante enfiavam empolgados sacolas de presentes e panfletos nas mãos dos transeuntes.
Matheus guiou Helena para o interior e parou na vitrine de uma loja de roupas femininas.
Na vitrine, estava em exibição um conjunto de cashmere bege. A parte de cima era um suéter folgado com gola alta, acompanhado por uma saia do mesmo tom e um fino cinto de couro na cintura. Todo o conjunto parecia delicado e elegante. A etiqueta de preço estava do lado de dentro, não era possível enxergar, mas apenas o estilo da decoração da loja indicava que não era barato.
— Vamos entrar e dar uma olhada. — falou Matheus.
Helena espiou a vitrine e balançou as mãos: — Não quero, não vou comprar roupas.
Recusou abertamente e até deu meio passo para trás.
Matheus abaixou a cabeça para olhar para ela: — Por que não?
— Eu já tenho roupas o suficiente. — Helena contou nos dedos. — Tenho vários casacos, seis ou sete blusas, saias, jaquetas, roupas de ficar em casa... Eu nem consigo usar tudo normalmente.
As luzes do local brilhavam, as pessoas andavam de um lado para o outro e o sistema de som tocava as músicas festivas de fim de ano. Ela estava ali em pé, com o cachecol enrolado no pescoço, o rosto pequeno e branco, seus olhos focados e atentos, parecendo de fato estar economizando para o lar.
Mas era justamente por isso que Matheus queria comprar as roupas.
— Todas as roupas que você tem foram compradas com o dinheiro do seu trabalho como influenciadora, certo?
Helena acenou com a cabeça e olhou-o, sem compreender.
— E dessa vez, sou eu quem vou comprar. — disse ele.
— Mas eu realmente já tenho roupas demais. — Ela ainda teimou.

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