Ela falou de forma casual, mas a expressão de Matheus não suavizou nem um pouco.
— Por que não me contou?
— Eu... — Helena ficou meio constrangida sob o olhar dele, e sua voz diminuiu. — Achei que não fosse nada demais. Além disso, a sua empresa tem andado tão ocupada ultimamente, eu não queria que você se distraísse por causa de um cara desses.
Assim que terminou a frase, ela se arrependeu um pouco.
Porque o olhar de Matheus, em vez de suavizar, ficou ainda mais frio.
A figura alta bloqueou grande parte da luz que vinha de cima, e a sombra caiu, cobrindo-a por inteiro.
Helena olhou para cima. Já estava meio sensível por causa do susto de agora a pouco, e ser encarada assim fez seu coração bater descompassado.
— Helena. — Ele olhou para baixo e chamou seu nome.
Poucas pessoas a chamavam pelo nome assim.
Quando ele a chamava daquele jeito, ela sabia que ele estava bravo de verdade.
— Hum... — Ela respondeu baixinho.
— Coisas como assédio na porta nunca são algo insignificante, Helena. — Matheus disse pausadamente. — Hoje ele ficou na porta sondando, amanhã ele vai ter coragem de invadir quando você estiver sozinha. Acha que consegue lidar com isso?
Helena ficou surpresa com as palavras dele, e o coração apertou de repente.
Na verdade, ela tinha ficado assustada agorinha, só estava acostumada a processar tudo sozinha para não o incomodar.
Mas com ele apontando isso de forma tão direta, ela finalmente se deu conta: e se ele não estivesse em casa hoje?
No entanto, se ele não estivesse em casa, ela provavelmente não teria coragem de abrir a porta para ninguém de fora.

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