Havia um vaivém de pessoas na entrada da autoescola; os alunos que acabavam de praticar direção saíam em pequenos grupos.
Helena e Viviane saíram lado a lado.
— Você vem nesse mesmo horário amanhã? — perguntou Viviane, enfiando as mãos nos bolsos do casaco de lã e virando-se para ela.
— Deve ser por aí — respondeu Helena. — Amanhã não tenho aula na faculdade à tarde.
Assim que ela terminou de falar, olhou casualmente para o outro lado da rua e parou de andar na mesma hora.
Sob a luz azul-acinzentada do fim de tarde de inverno, uma moto preta de traços firmes estava parada do outro lado da rua. Matheus estava montado, com um pé apoiado no chão, vestindo o casaco de lã cinza-escuro que ela mesma havia escolhido para ele.
Ele não usava capacete. Os ombros largos ajustavam perfeitamente o corte do casaco, e o rosto de feições marcadas sob a luz dos primeiros postes acesos passava a impressão de ser alguém inacessível.
Porém, quando o olhar dele passou pela multidão e encontrou Helena, a frieza desapareceu instantaneamente.
— Amor.
Os olhos de Helena brilharam na hora. Sua voz soou bem mais leve, e ela andou apressada em direção a ele com suas botas curtas.
Viviane, que ainda esperava a continuação da conversa, viu a colega correr de repente e, por instinto, olhou na mesma direção.
Com apenas um olhar, Viviane ficou paralisada onde estava.
Ela já tinha tentado sondar o passado de Helena indiretamente na autoescola. Observando as roupas de ótima qualidade de Helena, o rosto claro e sem marcas de dificuldades, além do jeito despreocupado de dizer que seu "marido tem o próprio negócio"...
Viviane imaginava que o marido de Helena seria um empresário mais velho, de uns trinta ou quarenta anos, sem muita graça.
— Viviane?
Viviane se aproximou. Deu uma olhada no rosto de Matheus, fingindo surpresa e admiração: — Nossa, esse é o seu marido? Não é à toa que você não dá muita bola para ninguém na autoescola; afinal, esconde um bonitão desses em casa!
Helena ficou um pouco sem graça com o comentário direto. Ela franziu os lábios e fez uma breve apresentação: — Este é o meu marido, Matheus. Esta é a Viviane, minha colega das aulas de direção.
Matheus continuou na moto e olhou rapidamente para Viviane.
Não disse nada. Apenas, por educação, fez um leve aceno com a cabeça em cumprimento.
Notando a frieza na atitude dele, Viviane revirou os olhos e abriu um sorriso ao dizer: — Olha, bonitão, é melhor você ficar bem de olho na sua Helena.
— Você não tem noção, a Helena faz um sucesso na nossa autoescola, é o centro das atenções. Todo dia tem aluno babando nela, um traz chá com leite num dia, o outro traz doce no dia seguinte, todos muito solícitos. Como ela é legal e meiga, todo mundo se dá bem com ela. E quem vê de fora fica até com pena de você, viu!

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