— Certo. — Matheus respondeu, anotando o assunto mentalmente.
Ele já estava lidando com as licenças, seguro dos entregadores e operações regulamentadas, mas o prazo estipulado por Gabriel permitiu que organizasse o ritmo de forma mais precisa.
Os dois trocaram mais algumas palavras sobre as propriedades comerciais de Porto Real e a taxa de ocupação dos prédios comerciais. Devido ao seu trabalho, Gabriel entendia melhor desses dados do que uma pessoa comum, sabendo de cabeça qual área tinha maior densidade de trabalhadores e qual polo comercial possuía o maior fluxo de pessoas ao meio-dia.
Matheus ouvia, fazendo notas mentais de vez em quando.
Enquanto conversavam, Leo, que estava no tapete, de repente jogou longe os blocos de montar com um estalo.
— Pai! — Ele virou o rosto, fazendo bico. — Não consigo montar!
Gabriel deu uma olhada. Era uma torre simples de três andares, mas a terceira peça sempre ficava torta e instável.
— Tente resolver você mesmo. — Gabriel falou com naturalidade. — Será que a base não está reta?
Leo ficou agachado encarando por dois segundos, moveu um pouco as duas peças da base e tentou colocar o terceiro bloco de novo. Dessa vez deu certo.
— Ê! — Ele bateu palmas feliz e continuou a montar para o alto.
Ficou quieto por uns vinte minutos.
Então...
— Pai, estou com sede.
Gabriel serviu meio copo de água morna para ele.
Mais dez minutos se passaram.
— Pai, quero fazer xixi.
Gabriel o levou ao banheiro.
Mais cinco minutos se passaram.
— Pai, estou com fome.
Gabriel: ...
Ele olhou para o relógio na parede. Eram pouco mais de onze horas.
— Você já não comeu de manhã?
— Quero comer mais. — Leo abraçou o Dinossauro de Pelúcia e olhou para cima com olhos grandes e redondos. — A mãe sempre me dá um biscoito nessa hora.
A voz de Leo ficou cada vez mais alta, e seus olhos começaram a marejar.
Ele empurrou o prato de biscoitos para o lado, ajoelhou-se no tapete abraçando o pequeno dinossauro com as duas mãos e abriu a boca.
— Buaaa...
Ele chorou.
Gabriel entrou em pânico na hora. Abaixou-se rapidamente e fez carinho nas costas de Leo desesperado: — Não chore, papai está aqui. Quer comer algo ou brincar com algum brinquedo? Eu pego para você.
Mas Leo não deu ouvidos e chorou ainda mais alto, com o rosto coberto de lágrimas e catarro: — Eu quero a minha mãããe... Eu quero a minha mãããe...
Gabriel pegou o filho no colo com um semblante derrotado, embalando-o e dando tapinhas, mas Leo parecia irredutível e não parava.
Matheus observava a cena sentado no sofá ao lado.
— O Leo é sempre assim? — Ele perguntou.
— Não sei. — Gabriel sorriu amargo e balançou a cabeça, suspirando enquanto embalava o filho. — A Isadora quem cuida dele normalmente. O Leo passa pouco tempo comigo.
Leo já era uma criança muito comportada. Se não tivesse cuidado dele por um dia, acharia que o menino cresceria sozinho sem dar trabalho.

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