Helena estava sentada no sofá editando fotos quando Matheus voltou por volta das nove da noite.
— Voltou.
— Sim. — Matheus trocou os sapatos, soltou o botão superior da camisa, entrou e sentou-se ao lado dela.
Helena o observou e notou a sua fisionomia mais fechada que o normal. Aquele rosto bonito e imponente parecia estar frio.
— O que foi? — Ela fechou o computador pela metade, virou-se e ficou observando-o.
Matheus recostou no sofá, esticou as suas longas pernas e permaneceu em silêncio por uns dois ou três segundos antes de falar.
— Uma pessoa da fiscalização de mercado foi na empresa hoje.
Helena se ajeitou em um instante: — Eles foram revistar vocês?
— Sim. — Matheus disse. — Alguém denunciou que a Swift Express estava operando sem licenças, que os entregadores não tinham seguro e as seguranças dos lanches não estavam nos padrões. Compareceram três pessoas com uma denúncia formal em mãos, checando item por item.
O coração de Helena disparou: — Então... deu tudo certo?
— Sim. — Matheus virou a cabeça e a olhou. Os seus olhos mostravam estar sem problemas: — Os certificados já estavam providenciados desde o início do ano. Os seguros foram comprados em abril, e os documentos dos donos das lanchonetes estavam todos salvos. Eles deram uma volta e não flagraram um erro se quer.
Helena suspirou por fim, recostando todo o corpo no assento.
— Morri de susto. — Ela afagou o seu próprio peito. — Mas que bom que você deixou tudo arrumado.
— Sim. — Matheus lançou seus olhares sobre o pote da pequena planta recém adquirida em cima da mesa de centro, soltando a voz amena. — Para falar a verdade, todas essas tarefas só foram cumpridas devido aos palpites prévios do Gabriel.
Ambos permaneceram sem palavras por alguns instantes.
O ar‑condicionado espalhava o ar fresco pela sala, enquanto o sol já havia se posto lá fora. A luz fraca da luminária do pátio atravessava o vidro e iluminava todo o ambiente.
Helena ponderou, soltando a voz subitamente: — Marido, não devemos adquirir algo e dar presentes ao Gabriel para demonstrar nossa gratidão?
Matheus virou o rosto para a observar.
— As opiniões dele ajudaram muito a nossa família. — Helena falou com uma pose séria. — Se os recados não fossem passados, iríamos nos deparar com confusões absurdas hoje mesmo. Não é um escândalo mundial, mas a amizade precisava de recompensas.
Ao se expressar, a sua imaginação relembrou os episódios remotos sem qualquer indução.
Alberto Rezende comercializava as confecções e frequentemente estabelecia relações nas agências de vendas. Com isso, ela sempre pôde observar de perto as trocas de presentes de ano novo e hospedagens com eles.

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