Depois do dia que passou cuidando de Leo junto com Matheus, Gabriel percebeu que cuidar de criança não era moleza e que Isadora não tinha tido vida fácil criando Leo esses anos todos.
Matheus tratava tão bem a esposa, e as duas mulheres saíam sempre juntas. Gabriel, sendo mais velho, não queria ficar para trás.
Isadora hesitou.
No passado, Gabriel também ajudava com os afazeres de casa, mas na maioria das vezes, era porque ela pedia, ou ele ajudava quando ela estava muito ocupada.
Uma atitude como levantar-se por conta própria e retirar os pratos e pedir para ela descansar era algo que acontecia com muito pouca frequência.
— Que foi? — ela ficou ali de pé, o observando com incerteza.
— Nada. — Gabriel empilhou a louça, levou até a cozinha e ligou a torneira. — Você trabalhou o dia todo também, então descanse um pouco.
Isadora ficou na porta da cozinha, olhando para as costas dele.
De repente ela se lembrou de quando tinham acabado de casar. Naquela época, ele trabalhava na base e ganhava menos de três mil por mês. Eles alugavam um quartinho de pouco mais de dez metros quadrados e dividiam a cozinha.
Mas mesmo naquela época, quando voltava do trabalho, ele a ajudava a lavar a louça.
Eles se apertavam naquela cozinha estreita e compartilhada. Ele lavava a louça, ela secava. Às vezes a água espirrava no rosto dela e ele ria enquanto enxugava com a própria manga.
Depois veio o Leo, eles se mudaram, ele foi promovido, os dois ficaram ocupados, e o afeto que tinham no início foi se desgastando pouco a pouco com os problemas do cotidiano.
Mas ultimamente, parecia que tudo estava voltando aos poucos.
Os dois foram de namorados para marido e mulher, se tornaram mais como família, e agora tinham um pouco daquele sentimento de casal de novo.

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