Às seis da manhã do dia seguinte, assim que o alarme tocou, Helena acordou.
Matheus, na verdade, acordou antes dela. Ele abriu os olhos às cinco e meia, lavou o rosto no banheiro e guardou o celular já carregado e a chave do carro no bolso, esperando que ela acordasse naturalmente.
Helena nunca havia dirigido em rodovias, então Matheus assumiu o volante.
A postura dele ao dirigir era bonita: a mão esquerda segurava levemente o volante, a direita descansava no câmbio, o corpo estava ligeiramente reclinado no banco e o olhar fixo à frente.
O estado relaxado, mas de total controle, era o mesmo que ele demonstrava em qualquer outra situação.
Sentada no banco do passageiro, Helena abriu uma fresta na janela, deixando o vento matinal do início do verão entrar.
Porto Real ainda não estava totalmente desperta. Não havia muitos carros na rua, e as barracas de café da manhã recém-abertas nas calçadas soltavam um vapor branco.
— Vamos pegar a Rodovia Anel Leste primeiro, e depois entramos na Rota 312. — Matheus olhou para o GPS. — Em condições normais, chegaremos em uma hora e meia.
— Certo — Helena respondeu, esticando a mão para ligar a música do carro.
Uma música folk animada saiu dos alto-falantes, combinando perfeitamente com as árvores e os postes de luz passando rapidamente pela janela.
Só depois de entrarem na rodovia é que Helena relaxou de verdade.
Ela reclinou o banco um pouco para trás, encolheu ligeiramente as pernas na beirada do assento e, com o celular na mão, tirava fotos da paisagem pela janela de vez em quando.
O horizonte ao longe estava tingido de vermelho e dourado pelo amanhecer. Os canteiros nas laterais da rodovia estavam repletos de rosas e roseiras; as manchas rosas e brancas ficavam especialmente bonitas à luz da manhã.
Mas a cena agradável durou pouco.
Após cerca de quarenta minutos de viagem, a velocidade do carro diminuiu repentinamente.
À frente, um mar de luzes vermelhas de freio se acendeu. O fluxo de veículos travou instantaneamente na rodovia; vários motoristas saíram dos carros, alguns ao telefone discutindo algo.
Matheus a olhou de canto de olho, vendo-a agarrada à janela com o rosto animado, parecendo um pequeno animal apoiado na beirada.
Dirigiu mais um pouco, até que, de repente, desacelerou e encostou o carro num espaço largo na beira da estrada.
— Dirija um pouco — ele disse.
— Eu? — Helena ficou um pouco surpresa.
— Sim. A estrada está reta e tem poucos carros. Vai treinando.
Helena pensou e percebeu que realmente queria experimentar dirigir fora da cidade. Havia praticado bastante na autoescola, mas as vezes que realmente pegou a estrada não foram muitas.
Os dois trocaram de lugar.

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