Se preocupando se o namorado dela era confiável ou não, se preocupando se ela iria sofrer no futuro.
Você já tem namorada, e ainda está se preocupando com as questões do casamento da garota por quem já foi apaixonado?
Por que você não se preocupa comigo?
Valentina reprimiu e reprimiu novamente a raiva em seu coração, e por fora ainda precisava manter o sorriso.
Ela ajustou suas emoções e, de repente, como se tivesse se lembrado de algo, levantou a mão esquerda e mexeu no cabelo perto da orelha.
Um pequeno e delicado anel de prata estava em seu dedo anelar, a superfície do anel incrustada com um pequeno zircão, brilhando com uma luz fraturada sob a lâmpada fluorescente da sala de aula.
— Ah, a propósito, Helena. — Ela esticou a mão um pouco para a frente, seu tom carregava uma arrogância indisfarçável. — Olhe para o meu anel, é bonito?
Helena lançou um olhar educado: — É muito bonito.
— O Artur me deu. — Valentina olhou docemente para Artur e depois se virou para sorrir para Helena e Fabiana. — O salário do estágio dele caiu no mês passado e ele insistiu em comprar um para mim. Eu disse que não precisava, não precisava, e ele disse que queria comprar de qualquer jeito. Custou mais de dois mil reais, fiquei morrendo de dó.
Mais de dois mil reais.
Para os universitários atuais, isso não era uma quantia pequena.
O custo de vida mensal da maioria dos alunos era de apenas mil reais; dois mil reais equivaliam a dois meses de despesas.
Alguns universitários de famílias pobres chegavam a ter uma mesada de apenas quinhentos reais.
Artur abaixou a cabeça levemente ao lado, e o canto de sua boca trazia um sorriso modesto: — Na verdade não foi tanto dinheiro assim, não dá nem meio mês de salário.
O salário de estágio era de sete a oito mil, meio mês seria três ou quatro mil. Um anel de dois mil e poucos não era realmente nada demais para ele.
Mas aquela frase, em sintonia com a exibição de Valentina, soava particularmente estridente nos ouvidos dos outros.
Fabiana revirou os olhos ao lado, quase não conseguindo conter um murmúrio de desdém.
Helena nem mudou de expressão, apenas abaixou a cabeça, fechou o estojo de canetas e colocou dentro de sua bolsa de lona.
— Eu vou indo. — Helena levantou-se, pegou a bolsa de lona e assentiu com a cabeça para Fabiana.
Um pequeno dono que fazia entregas locais comprou um carro para a namorada?
Quanto aquilo deveria custar? Qualquer carro custaria pelo menos algumas dezenas de milhares, certo? Os mais caros poderiam custar mais de cem mil.
Valentina olhou para baixo, para aquele anel de zircão de dois mil reais em sua mão, e de repente sentiu que a pedrinha brilhante não era mais tão bonita.
Artur também ficou em silêncio.
Seu salário de estágio era de sete a oito mil, o que não parecia pouco, mas em uma cidade como Porto Real, depois de pagar aluguel, contas, despesas diárias, e ainda comprar o anel para Valentina, no final do mês não sobrava quase nada.
Comprar carro? Era melhor ele esperar para ser efetivado formalmente, ter um aumento, e economizar alguns anos primeiro.
Valentina bufou friamente, puxando a manga de Artur na outra direção: — Vamos, não fique enrolando aqui, temos que voltar correndo para a empresa à tarde. Esse tipo de carro que ela tem não vale nada, não é nem um Rolls-Royce ou um Bentley, pfft, é apenas um Volkswagen velho. Mesmo que me dessem de graça, eu não dirigiria.
Puxado por ela, Artur tropeçou um passo, desviando o olhar.
— Ah, ok. — Ele respondeu, com a voz um pouco distraída.

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