Depois de se separar de Adriana, Helena não foi direto para casa, mas deu uma volta pelo shopping.
Ela viu uma loja de pijamas, entrou para comprar um conjunto, e escolheu algumas roupas íntimas e meias para Matheus.
No segundo andar do shopping havia uma marca de roupas femininas de que ela costumava gostar. Ela entrou, deu uma olhada e escolheu um colete de alfaiataria cinza-claro e uma saia de bom caimento.
Ao sair depois de pagar, passando pelo terceiro andar, notou um Studio Yoga recém-inaugurado no canto.
Através do vidro do chão ao teto, podia-se ver o piso de madeira clara e a iluminação suave lá dentro. Algumas mulheres em roupas de yoga faziam alongamentos sob a orientação de uma instrutora.
Helena parou e olhou por um momento.
Ela vinha sentindo o corpo um pouco rígido ultimamente. Todos os dias, além das aulas, ficava sentada em frente ao computador editando fotos e escrevendo. Ela praticamente não fazia exercício físico.
Helena tinha estudado dança, por isso tinha muita flexibilidade no corpo. Infelizmente, mesmo com toda essa elasticidade, o descontrole dos momentos íntimos com Matheus à noite a deixava sempre com o corpo dolorido ao acordar.
Helena achou que deveria se exercitar um pouco.
Ela entrou no Studio Yoga e perguntou sobre as aulas e os preços.
A recepcionista foi muito simpática. Ela recomendou o Hatha Yoga básico e o yoga terapêutico para relaxamento dos ombros e do pescoço, e ainda a levou para conhecer os vestiários e a área de descanso. O ambiente era limpo e tinha uma boa privacidade.
Helena não hesitou muito e fez logo um plano semestral.
Ao sair do shopping, ela dirigiu de volta para o Residencial Magnólias.
Passava das três da tarde, e o sol estava forte.
Helena entrou no condomínio carregando as sacolas de compras e a bolsa a tiracolo.
Assim que chegou ao pé do prédio 1, prestes a virar no caminho para o próprio quintal, ouviu passos atrás de si.
Ser bonita é grande coisa?
Lívia torceu o nariz internamente.
Além de ser bonita e saber se arrumar, o que mais ela sabe fazer? Nem um trabalho de verdade tem, não é só sustentada por homem?
Embora não fosse tão bonita quanto Helena, ela era uma verdadeira estudante universitária, prestes a se formar, e no futuro entraria para uma empresa como funcionária de escritório. Era uma mulher da nova era, com conteúdo e escolaridade.
Os homens deste mundo são tão fáceis de enganar, adoram esse tipo de enfeite que, além de bonito, não serve para mais nada.
— Nossa, Helena, você está tão bonita hoje. — Ela disse sorrindo, com um tom sutil de inveja na voz. — Foi fazer compras? Comprou tantas coisas.
— Sim, só dando uma volta. — Helena respondeu de forma breve.
Na verdade, ela não queria conversar muito com Lívia. A lembrança da última vez em que aquela mãe e filha foram visitá-las em casa ainda estava muito viva.

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