— Não tenho grandes ambições. — Helena recostou-se no abraço dele, murmurando: — Só quero que a nossa família esteja segura. Que você possa voltar para casa todos os dias, que a gente coma e durma juntos, e saia para passear quando der tempo. Isso já estaria ótimo.
Matheus baixou o olhar para ela.
Ao dizer isso, o tom dela era suave e calmo, como se realmente já tivesse deixado claro o que mais queria.
Mas Matheus pensava mais longe, e de forma mais implacável.
Ele tinha uma noção do patrimônio da Família Rezende. Materiais de construção, fábricas, lojas, armazéns, fluxo de caixa e ativos fixos somados, dava pelo menos cem ou duzentos milhões.
Era o que Alberto Rezende havia acumulado aproveitando as oportunidades da época e trabalhando por décadas.
Matheus sabia muito bem o quanto era difícil para uma pessoa comum alcançar esse nível de patrimônio.
Mas ele não achava impossível.
Ele não queria apenas o suficiente. O suficiente faria com que vivessem bem, mas não bastaria para calar a boca daquelas pessoas.
Ele ia ganhar muito dinheiro, pelo menos umas centenas de milhões.
Não apenas alcançar a Família Rezende, mas superá-la, esmagá-la, para que aquelas pessoas, ao mencionarem Helena no futuro, só pudessem sentir arrependimento e constrangimento. Para que soubessem muito bem que não haviam jogado fora uma filha adotiva qualquer que pudesse ser descartada.
Era a esposa que Matheus protegia.
Helena não tinha os pais para protegê-la, mas não importava, ela tinha o marido.
Quando ela foi alvo das armações de Sara, foi expulsa daquele suposto lar pela Família Rezende, sem conseguir levar nem mesmo uma bagagem decente.
Matheus ainda se lembrava daquela cena.
Por isso ele precisava subir, chegar a uma posição alta o suficiente para que, um dia, a Família Rezende sequer tivesse o direito de menosprezá-la.
Matheus não disse nada disso em voz alta. Falar essas coisas só colocaria pressão sobre ela.
Ele apenas a apertou mais firme no abraço.
— Eu tenho noção. — disse ele. — Não vou trocar minha saúde por dinheiro.
Helena ergueu os olhos: — Sério?
— Sim.
— Então beba menos nas reuniões.
— Tá bom.
— Se ficar muito tarde, durma num hotel. Não dirija com sono.
A voz dela foi ficando cada vez mais baixa, e as últimas palavras ficaram quase presas na garganta. Em pouco tempo, ela adormeceu.
Matheus baixou o olhar para ela em seus braços.
Ela dormia tranquila, com a respiração leve. O rosto ainda mantinha um leve rubor, e seus dedos seguravam inconscientemente a borda da regata dele.
Matheus estendeu a mão e afastou os fios de cabelo da testa dela.
— Vá em frente. — disse ele em voz baixa.
Helena, adormecida, obviamente não ouviu.
Matheus, no entanto, fizera uma promessa: se ela quisesse seguir em frente, ele daria o suporte.
Se não houvesse dinheiro, ele ganharia. Se o caminho fosse instável, ele pavimentaria.
Um dia, ele faria com que ela estivesse em um lugar onde todos pudessem ver. Impecável, linda e respeitada.
Para que todos aqueles que um dia a menosprezaram pudessem ver muito bem.
Helena não era indesejada. Ela era a sua esposa.
Um casal que, mesmo quando a vida os jogasse para baixo, teria força para se reerguer e construir algo sólido e duradouro juntos.

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