Enquanto o Grupo de Moradores - Residencial Magnólias ainda estava barulhento, Matheus estava sentado em uma sala de reuniões no distrito comercial de Porto Real.
No vigésimo sétimo andar, havia um lado com uma janela até o chão, por onde dava para ver os edifícios e o tráfego da metade de Porto Real.
A sala de reuniões era grande. Havia uma mesa longa, com o ar-condicionado na temperatura mais baixa. Vários homens de terno se sentaram do outro lado, não parecendo muito jovens. A aura deles era diferente da de empresários comuns.
Era a primeira vez da Swift Express numa mesa de capital.
Otávio estava ao lado de Matheus. O terno havia sido comprado há alguns dias. A gravata estava apertada e as palmas das mãos suadas.
Carlos segurava o computador, sentado de forma reta.
Apenas Matheus parecia calmo.
Ele usava um terno cinza-escuro naquele dia, camisa branca e gravata escura. Tinha uma estatura alta, com costas e ombros eretos. Embora não tenha dito nada, estar sentado ali emitia uma aura controladora sobre a sala.
O investidor à sua frente se chamava Gustavo Lima e era sócio da Summit Capital.
Tinha cerca de quarenta anos e usava óculos. Sorria educadamente, mas tinha olhos espertos.
Ele virou os papéis na sua mão e foi bem direto na sua primeira frase: — Sr. Ferraz, sendo sincero, nós já vimos muitas dessas entregas na mesma cidade. Coisas rápidas, entrega de comida, entrega nas universidades, há muitas pessoas fazendo isso. Como a Swift vai se sustentar?
Otávio engoliu seco ao escutar aquilo.
A pergunta era difícil.
Responder demais soaria exagerado.
Falar pouco pareceria não ter futuro.
Matheus não correu para se explicar, apenas empurrou um relatório para ele.
— Não somos uma plataforma nacional. — disse ele. — Não estamos tentando competir contra as grandes companhias do país.
O Sr. Lima olhou para ele.
Matheus continuou: — Somos um negócio local. Uma faculdade, um distrito comercial, uma avenida de comidas, nós sabemos de tudo.
Ele apontou algumas imagens nos papéis.
Eram as áreas mapeadas a dedo das universidades e negócios de Porto Real, não muito complexo, mas claro.
Ele pensava que uma plataforma pequena iria apenas gastar.
Mas que também geraria uma renda.
O Sr. Lima também olhou para Matheus: — Sem subsídios?
— Sem grandes proporções. — comentou Matheus. — Eles não retêm as pessoas. Os estudantes e colarinhos brancos nos usam porque somos convenientes. Os lojistas dão as comissões porque os ajudamos a vender.
A sala ficou calada por um tempo.
O Sr. Lima juntou os papéis, jogando as costas na cadeira.
— E agora para que precisam do dinheiro?
Matheus respondeu rápido: — Para Rio Claro.
— Cidade vizinha?
— Sim. — respondeu Matheus. — O Distrito Universitário de Rio Claro tem seis faculdades e três distritos comerciais. Já há alguns serviços locais em times pequenos por ali, mas sem um sistema, muito menos gerenciamento regular. Vamos trabalhar juntos para consertá-los.

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