— Deite-se.
— Hum... — ela respondeu de olhos fechados. — A sopa está na panela, as panquecas na lancheira térmica.
Matheus olhou para ela tão sonolenta e ainda preocupada com a refeição dele, e sentiu o peito amolecer.
Ele se virou e foi para a cozinha.
A Sopa de Costelinha com Feijão Mungo na panela ainda estava morna, o caldo claro, o feijão mungo desmanchando, a costela macia. As panquecas na lancheira térmica mantinham o calor residual, empilhadas em camadas, com as bordas levemente tostadas.
Matheus serviu uma tigela de sopa, pegou duas panquecas e sentou-se à mesa de jantar para comer.
A luz da sala não estava forte.
Helena encolheuse no sofá, olhando para ele, meio adormecida.
O homem que agora há pouco a havia beijado até ela perder as forças no escritório, neste momento estava sentado em silêncio à mesa comendo a comida que ela deixou. O colarinho da camisa estava solto, as mangas dobradas até o antebraço, e a luz desenhava linhas muito rígidas em seu rosto de perfil.
Matheus comia rápido.
Terminou a primeira tigela e serviu outra. A panqueca estava enrolada com o frango desfiado frio que ela havia preparado, e em poucas mordidas ele comeu metade.
Helena não aguentou e disse baixinho, lutando contra o sono: — Coma devagar, ninguém vai roubar.
O movimento de Matheus parou por um instante, e então a velocidade com que comia diminuiu um pouco.
Depois da refeição, ele recolheu a louça para a cozinha, lavou rapidamente e voltou para a sala.
Helena já estava quase dormindo, a manta fina coberta até o queixo, revelando apenas o pequeno rosto claro.
Matheus agachou-se ao lado do sofá e tocou suavemente o rosto dela com os dedos.
— Ainda vamos para a cama?
Helena abriu os olhos atordoada e olhou para ele com alerta imediato: — Apenas dormir.
Ela não queria ser atormentada por ele do anoitecer ao amanhecer.
Ele ainda queria; mesmo comendo todos os dias, sentia que nunca estava satisfeito.
Helena ofegou, segurando as mãos dele, e o encarou com os grandes olhos marejados.
Matheus a abraçou e contou um pouco sobre o investimento.
Helena estudava Letras, então não entendia muito de investimentos, mas só de ouvir Matheus falar, soube que a carreira dele havia subido mais um degrau.
— É sério? — Helena ficou muito feliz e beijou o rosto dele. — Marido, como você é tão incrível?
Matheus viu a admiração nos olhos brilhantes dela e sentiu o coração amolecer um pouco.
Ele sabia que Helena vinha de uma família rica; mesmo tendo sido expulsa de casa, ela era uma estudante de uma universidade renomada, bonita e delicada.
E ele vinha de um orfanato, não tinha uma formação acadêmica digna, apenas a experiência acumulada das lutas na sociedade.
Mas, vivendo juntos, desde o estranhamento de serem forçados a se unir até agora que tinham um pouco de economia, eles sempre haviam apoiado um ao outro.

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