Alguns colegas ao redor também perceberam o clima e ficaram com expressões meio constrangidas.
Alguns abaixaram a cabeça para morder o sorvete, fingindo que não tinham ouvido.
Outros olharam para Valentina e depois para Helena, querendo amenizar a situação, mas sem saber o que dizer.
Afinal, quem estava pagando era Valentina, os sorvetes foram comprados por ela, e ela dava para quem quisesse.
Fabiana devolveu o sorvete que acabara de pegar diretamente na mesa ao lado do pódio.
— Se a Helena não tem, então eu também não quero.
O rosto de Valentina ficou ainda mais feio: — Fabiana, qual é o seu problema?
Fabiana cruzou os braços e disse sem a menor cerimônia: — Não é problema nenhum, só acho indigesto comer esse sorvete.
Ela olhou para alguns colegas ao redor e falou com um tom desdenhoso: — Era para ser algo alegre, mas você insistiu em fazer esse joguinho baixo. Se não tem como pagar para todos, não pague. Para que isso? Você diz que está pagando para toda a turma, mas coincidentemente deixa apenas a Helena de fora. Qual é a sua intenção? Qualquer pessoa com cérebro consegue entender.
Alguém tossiu baixinho por perto.
O sorriso no rosto de Valentina congelou.
Ela claramente não esperava que Fabiana fosse expô-la diretamente na frente de tantas pessoas por causa de Helena.
— Você... — O rosto de Valentina oscilou entre o vermelho e o branco. — Eu já disse que contei errado. Precisa exagerar tanto? É só um sorvete.
— Exatamente por você usar um sorvete para causar nojo nas pessoas é que parece tão mesquinha.
A expressão de Artur também não era boa.
Como representante da turma por quatro anos, ele sempre manteve a ordem da classe muito bem.
Ele olhou para Helena com um toque de pedido de desculpas nos olhos: — Helena, me desculpe, isso foi um erro de organização nosso. Eu vou comprar outro agora.
— Não é necessário. — Helena guardou o caderno que estava na mesa dentro da bolsa. — Eu não preciso de um sorvete.
Ela se levantou e pegou a bolsa.
Fabiana também se levantou em seguida.
As duas caminharam para fora da sala, uma atrás da outra.
Quando chegou à porta, Helena parou de repente e se virou para olhar Valentina.
— Outra coisa, desejo do fundo do coração que o relacionamento de vocês dê certo.
Seu tom era indiferente.
— Mas não há necessidade de mostrar que me odeia nesse tipo de ocasião. Afinal, desde o começo eu nunca pensei em disputar nada com você.
No corredor.
Fabiana caminhava bufando de raiva.
— Ela é louca? Fazer isso por causa de um sorvete, achando que ninguém ia perceber?
Helena caminhava ao lado e sua expressão também não era das melhores.
Na sala ela parecia calma, mas na verdade também estava com raiva.
— Deixa para lá. — Ela respirou fundo. — Agora, menos motivo ainda para termos qualquer contato.
— Desde o começo não havia necessidade. — Fabiana revirou os olhos. — Ela tem inveja de você. O Artur gostava de você no passado e ela não conseguiu engolir isso, mas, como não tem coragem de descontar nele, vem atrás de você.
Helena não respondeu.
Ao chegarem à porta do prédio acadêmico, o sol bateu forte e o calor veio de supetão.
Fabiana de repente a segurou: — Vamos, eu pago um sorvete para você.
Helena parou por um instante e sorriu: — Não precisa.
— Tem que comer. — disse Fabiana muito a sério. — E ainda tem que comer um caro. Quem se importa com aquele picolé barato dela? Vamos à Gelateria Veneta lá perto da entrada da faculdade.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com Guarda Frio, Sou Mimada com Todo Seu Amor