Ao ouvir aquelas piadas vulgares, a expressão no rosto de Matheus foi desaparecendo aos poucos.
Ele não gostava de se desentender com os outros em jantares.
Especialmente naquele tipo de evento de negócios com pessoas recém-conhecidas, onde muitos bebiam demais e falavam sem medir as palavras. Levar a sério só faria a situação se estender.
— Senhores. — Matheus disse em tom calmo. — Minha esposa veio me buscar, já vou indo.
Maurício e Ademir trocaram um olhar, ainda com aquele sorriso de quem sabe das coisas.
— Certo, certo, o Sr. Ferraz é um bom homem. — Maurício sorriu, acenando com a mão. — Não vamos insistir então.
Ademir deu um tapinha no ombro dele com um sorriso debochado: — Sr. Ferraz, mais cedo ou mais tarde você vai entender. Quando enjoar, é só procurar a gente.
Matheus nem ligou para ele. Pegou o paletó que estava nas costas da cadeira, virou-se e saiu.
Os outros continuaram na sala.
Maurício olhou para as costas de Matheus e balançou a cabeça, rindo: — Jovem demais. Casou faz poucos dias, a novidade ainda não passou. Daqui a uns anos, quando a vida ficar sem graça, ele vai ter que sair para relaxar.
Ademir concordou com a cabeça: — Com certeza. Qual homem não é assim? Que esposa não é bonita no começo? Depois de muito tempo olhando, não fica tudo igual?
Outro homem intrometeu-se: — Não falem com tanta certeza. Vai que a esposa dele é bonita mesmo?
— Por mais bonita que seja, vai ser bonita até que ponto? — Maurício desdenhou. — Qual é a origem dele? Órfão, trabalhava em obra. Que tipo de mulher ele ia conseguir? No máximo uma garotinha comum, bonitinha, mas comparada com as daqui de fora...
Antes que ele pudesse terminar de falar, a voz do garçom da sala ecoou lá fora: — Senhores, tem gente esperando lá embaixo.
— Já estamos indo. — Maurício levantou-se, arrumando a roupa. — Vamos, vamos descer. Já deixei tudo reservado lá.
Os homens saíram conversando e rindo da sala, seguindo pelo corredor em direção ao elevador.
O saguão do clube era bem amplo.
Naquele tipo de clube privado, a entrada não costumava ter muitos carros parados.
Todos que vieram naquela noite tinham carros de luxo, e havia alguns Mercedes, Audis e um Porsche estacionados na porta.
Porém, naquele momento, o olhar de todos não estava naqueles carros.


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