Na manhã de quarta-feira, quando o céu mal começava a clarear e o despertador ainda não havia tocado, Matheus já estava acordado.
Ele virou de lado e observou Helena, que ainda dormia ao seu lado.
Ela dormia tranquilamente, os longos cabelos espalhados pelo travesseiro, a respiração suave, e uma das mãos segurando inconscientemente a ponta do cobertor.
Matheus não a acordou. Levantou-se em silêncio, foi se lavar e trocar de roupa.
Quando terminou de se arrumar e saiu, Helena também acabava de acordar.
Ela se sentou esfregando os olhos, com o cabelo bagunçado, e a voz ainda rouca de sono: — Que horas são?
— Seis e meia. — Matheus se aproximou e sentou-se na beirada da cama. — Quer dormir mais um pouco?
— Não. — Helena balançou a cabeça. — Vamos à fábrica hoje, temos que sair cedo.
Matheus fritou dois ovos, torrou pães na cozinha e preparou duas xícaras de café solúvel.
Os dois tomaram o café da manhã rapidamente, e Helena colocou os materiais que havia preparado na noite anterior dentro da bolsa: fotos das amostras, a tabela de medidas, os registros da modelagem da primeira leva e as próprias sugestões de alterações que ela desenhou.
A fábrica ficava em uma cidade no Distrito de Santana, a quase duzentos quilômetros do Centro de Porto Real.
O GPS indicava que, em condições normais, a viagem levaria entre três horas e meia e quatro horas.
Matheus dirigia de forma segura, pegando primeiro a rodovia e seguindo rumo ao sul.
A paisagem do lado de fora da janela foi mudando lentamente dos prédios altos da cidade para campos agrícolas, e depois para colinas e áreas industriais.
Helena estava no banco do passageiro. Passou a primeira metade do caminho organizando os documentos e a segunda metade encostada no banco, observando a vista perdida em pensamentos.
— Está nervosa? — Matheus olhava para ela de vez em quando.
— Um pouco. — Helena admitiu sinceramente. — Eu nunca lidei com o pessoal da fábrica antes.
— Não fique. — Matheus aconselhou. — Você só precisa explicar o problema com clareza e manter a firmeza no que for necessário.
— Certo. — Helena concordou e perguntou: — Você já lidou com o pessoal de fábrica antes?


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