Enquanto ela pensava, o barulho da porta se abrindo veio do hall de entrada.
Helena congelou por um momento e olhou para as horas.
Eram seis e quarenta.
Matheus tinha voltado muito cedo hoje.
Ela saiu do escritório e Matheus já havia trocado os chinelos e pendurava o casaco no cabide.
— Tão cedo hoje? — Helena perguntou com surpresa.
— Sim, já terminei de resolver as coisas. — Matheus olhou para ela. — Você acabou de chegar?
— Já tem um tempinho. — Helena subitamente lembrou de algo, olhou para a cozinha e sentiu aborrecimento na hora. — Ah, não! Eu esqueci de preparar o jantar.
Matheus ergueu uma sobrancelha: — Esqueceu, está esquecido.
— Fui ao chá da tarde da Sra. Luciana Fonseca e, quando voltei, estava organizando as anotações, perdi a noção da hora. — Helena foi até ele, um pouco envergonhada. — Você ainda não comeu, não é? Posso fazer um macarrão agora.
Matheus estendeu a mão, puxou-a para si e olhou para baixo em sua direção.
— Que macarrão. — Ele disse. — Se não fez, não fez. Podemos comer fora.
Helena olhou para ele: — Mas você não gosta de comer a minha comida?
— Gosto. — Matheus respondeu. — Mas não é por isso que você tem que fazer todos os dias.
O tom dele era calmo, como se falasse da coisa mais natural do mundo.
— Você é minha esposa, não uma empregada que eu contratei para cozinhar.
O coração de Helena amoleceu.
Ela não conteve o riso: — O Sr. Ferraz está ficando cada vez melhor em agradar.
— Fatos.
Matheus pegou a mão dela e a levou para a sala: — O que quer comer?
Helena pensou por um momento: — Vamos sair para comer algo quente. Esta tarde eu só tomei chá e comi doces, na verdade não comi direito.
— Hotpot?

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