— A oportunidade em que vai mostrar qual é o seu valor.
Ele encarou a televisão, e a voz continuou calma: — O valor não vem fácil; ele tem de ser exibido.
Helena assentiu calmamente.
Ela havia entendido.
Matheus queria dizer que ela ainda não passava de uma garotinha ingênua que não dispunha de cartas o suficiente para apostar naquele grupo.
Ela deveria continuar fazendo os seus próprios compromissos. Tinha que esperar a Estúdio Pouso crescer e ganhar mais prestígio, e esperar a sua influência fazer o resto.
E quando esse dia chegasse, ela não imploraria para ser parte daquele grupo; o grupo em si a aceitaria de braços abertos.
— Mas... — Helena não estava muito de acordo com tudo isso. — E se isso não acontecer?
Matheus encarou o rosto dela sobre o seu colo.
O olhar era firme, embora esboçasse um sorriso.
— Se não der certo, isso não tem problema. — Ele prometeu. — Espere eu conseguir a rodada de investimentos Série B. Assim que eu a conseguir, mais e mais pessoas chamarão por você.
Helena parou novamente.
Ela entendeu as entrelinhas nas palavras do Matheus.
Esse grupo de esposas não avalia a mulher em si; avalia o prestígio do marido que faz de tudo e arca com os resultados.
Se a Swift Express continuasse o seu percurso, conseguisse a Série B e duplicasse de valor algumas vezes, sua imagem como a Sra. Ferraz iria nas alturas e, logicamente, seria diferente.
Porém, ela não queria ser sempre essa pessoa.
Helena cruzou as pernas e sentou-se, encarando ele, enojada: — Eu não quero depender financeiramente de outra pessoa para viver.
Ao observá-la não cedendo aos avisos dele, o sorriso de Matheus se alargou.
Ele a segurou pela nuca, puxando-a para perto de si. Ele aproximou seus lábios dos dela.
— Não quer ser sustentada? — Ele cochichou, enchendo a voz de provocação maliciosa. — Então, do que quer viver?

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