Como a gota da água que desgasta a pedra aos poucos.
Quando ele se deu conta, já era tarde demais.
Ele já não conseguia ficar longe dela.
...
Matheus nunca foi de ficar falando sobre seus sentimentos.
Ele não dizia "eu te amo" todo dia.
Para ele, aquelas três palavras não eram algo banal de dizer à toa, carregavam um peso enorme.
Leves porque, quando muitos as diziam, era apenas um hábito, uma bajulação, uma forma de enrolar.
Pesadas porque, se ele as dissesse e as entregasse de verdade, significava expor sua parte mais vulnerável.
E, desde pequeno, ele sabia que as pessoas que mostravam suas fraquezas seriam devoradas.
Mas Helena também nunca havia dito "eu te amo" para ele.
Ela dizia "estou com saudade", dizia "você voltou", dizia "você é tão bom pra mim", ou, em momentos íntimos, se deixava levar por ele e soltava um "eu quero você".
Mas ela nunca havia olhado nos olhos dele e dito seriamente aquelas três palavras.
Matheus não perguntaria.
Um homem como ele preferia deixar a dúvida apodrecer dentro de si do que abrir a boca para implorar por uma resposta.
E se ela não conseguisse falar?
E se ela dissesse apenas porque ele havia perguntado?
Qual seria o sentido?
Ele não queria um amor que viesse de compaixão.
Assim como não queria qualquer outra coisa dada por caridade.
Mas isso não significava que ele não se importava.
Ele se importava demais.
No ano passado, um dia após Enzo ter adicionado Helena, mandou uma mensagem. Ela estava no banho, com o celular na mesa de centro, e Enzo havia enviado a mensagem.
O conteúdo era banal, apenas perguntando como ela estava e se ia tudo bem.
Porém, ao ver aquelas palavras, uma corda no coração de Matheus esticou.


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Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com Guarda Frio, Sou Mimada com Todo Seu Amor