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Casei com o Magnata Frio por Um Acordo Bilionário romance Capítulo 355

A fumaça saindo da arma, foi a primeira coisa que Valentina viu quando ergueu o rosto, o corpo inteiro ainda tremendo, o peito em colapso, o pavor da água misturado à dor nos pulsos, à ardência no ombro raspado, ao gosto metálico do medo ainda preso na garganta.

A silhueta de Rafael vinha recortada contra a noite como alguma coisa feita de fúria e precisão. O braço ainda estendido, a arma firme na mão, o olhar cravado adiante com uma violência tão concentrada que parecia ter transformado o próprio ar ao redor dele em ameaça. Mais atrás, espalhando-se pelo pier em formação rápida e letal, os homens dele avançavam em silêncio, ocupando cada espaço, fechando cada rota, impondo uma presença que mudava tudo de uma vez.

Enzo já estava no chão.

O tiro o acertara entre o peito e o ombro, forte o bastante para derrubá-lo e abrir sangue sobre o tecido escuro da roupa, mas não para matá-lo. O corpo dele tinha cedido para trás de um jeito brutal, e agora jazia sobre as tábuas frias do pier, respirando com dificuldade, a mão trêmula apertada contra o ferimento, os dentes manchados de vermelho. Helena soltou um grito tão agudo que chegou a cortar a noite, correndo até o filho com passos desordenados, caindo de joelhos ao lado dele sem qualquer resquício daquela frieza elegante que sustentara até segundos antes.

Os homens de Rafael cercaram os dois num semicírculo perfeito antes mesmo que a velha conseguisse tocar o braço do filho de novo. Armas baixas, prontas, olhos atentos, corpos posicionados entre o perigo e o único centro real daquela noite.

Valentina.

Rafael guardou a arma com um movimento duro e caminhou até ela num passo rápido demais para ser apenas pressa. Havia pouca distância entre os dois, mas ainda assim ele percorreu aquele espaço como um homem que acabara de atravessar o inferno e não tinha certeza de que o mundo voltaria a girar se não a alcançasse com as próprias mãos.

Ele caiu de joelhos diante dela.

As mãos foram imediatamente para o rosto dela, firmes e cuidadosas ao mesmo tempo, os olhos percorrendo cada detalhe com um desespero tão contido que doía mais por isso mesmo. O cabelo dela grudado de leve na testa, as lágrimas misturadas ao frio, a respiração curta, a pele pálida, a corda ainda marcando os pulsos atrás das costas.

— Amor… — a voz dele saiu rouca, baixa, quebrada em algum lugar que Rafael raramente deixava existir. — Está tudo bem? Ele te machucou? Valentina, olha para mim.

Ela abriu a boca, mas a voz não veio de primeira.

O pânico ainda não tinha deixado o corpo. A água estava ali. O cheiro de ferrugem e sal continuava invadindo tudo. Enzo continuava vivo a poucos metros. Helena continuava gritando o nome do filho como uma mulher enlouquecida. Mas nada disso tinha o mesmo peso quando Rafael estava diante dela, real, quente, inteiro, olhando-a como se o mundo inteiro dependesse da resposta dela.

As lágrimas caíram sem resistência.

— Rafael… — sussurrou, e dessa vez o nome dele saiu como alívio, como choque, como oração atendida tarde demais e ainda assim a tempo. — Rafael…

Ele passou a mão pela lateral do rosto dela, depois desceu até os pulsos amarrados. Tirou uma faca pequena da cintura e cortou a corda em dois movimentos secos. Assim que as mãos dela se soltaram, Valentina avançou para ele sem pensar, os braços indo ao redor do pescoço dele com uma força quase desesperada.

Rafael a segurou no mesmo instante.

Puxou-a contra si.

Inteira.

Protegida.

Como se quisesse arrancá-la daquele lugar até pelo contato.

— Eu cheguei — murmurou junto ao cabelo dela, o rosto enterrado na curva do pescoço dela por um segundo longo demais para ser só um abraço. — Eu cheguei, querida. Acabou. Acabou.

Valentina chorou.

— Não diz isso. — A mão dele subiu outra vez ao rosto dela, o polegar secando uma lágrima que outra imediatamente substituiu. — Nunca mais faz nada sozinha. Nunca mais. Nem por quinze minutos. Nem por cinco. Nem por um.

Apesar do caos, apesar do sangue, apesar da noite parecer um pesadelo ainda aberto, Valentina soltou uma risada trêmula entre o choro.

— Você vai usar isso contra mim para sempre, não vai?

— Vou — respondeu sem hesitar. — Até o fim da minha vida.

Ela deixou a testa cair contra a dele.

— Você é insuportável.

— E você quase me matou do coração.

A resposta arrancou dela outro sopro quebrado de riso, e foi justamente esse som frágil, pequeno e vivo que devolveu um pouco de cor ao rosto dele. Rafael a abraçou de novo, mais apertado agora, como se finalmente se permitisse sentir o tamanho real do susto.

Atrás deles, Enzo tossiu sangue.

O ruído bastou para cortar o momento como faca.

Rafael ergueu o rosto devagar e se levantou num movimento controlado. Antes de se afastar, puxou Valentina com ele, colocando-a imediatamente atrás de si, protegida pela largura do próprio corpo como se isso fosse a coisa mais natural do mundo. A mão dele permaneceu estendida para trás até encontrar a dela, apertando seus dedos uma vez, rápido, numa promessa muda de que ela não seria tocada de novo.

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