O hospital ainda cheirava a antisséptico quando Rafael atravessou o corredor com passos rápidos demais para parecer controlado.
A maca entrou pelas portas de emergência com Valentina deitada, o corpo imóvel, alguns arranhões visíveis, o braço já conectado ao soro. Pequenos cortes marcavam a pele dela, nada profundo, mas o suficiente para fazê-lo sentir como se cada um tivesse sido aberto nele.
— Médico! — a voz dele saiu carregada, baixa, mas perigosa — Se alguma coisa acontecer com ela… ou com o bebê…
O médico não se abalou, mas reconheceu o tipo de homem à sua frente.
— Calma, senhor. Vamos fazer tudo que for necessário.
Rafael não respondeu.
Não havia calma nele. Havia espera.
E a espera, para ele, sempre foi a pior parte.
O tempo passou de forma irregular, como se cada segundo tivesse peso próprio. Ele permaneceu ali, parado, olhando fixamente para a porta por onde a tinham levado, o maxilar travado, as mãos fechadas ao ponto de os nós ficarem esbranquiçados. O corpo inteiro em estado de alerta, como se ainda estivesse no meio da perseguição.
Até que a porta se abriu.
Ele deu um passo à frente no mesmo instante.
— Como ela está? E o bebê?
O médico retirou as luvas com tranquilidade antes de responder.
— Ela está bem, senhor. O bebê também. Foram apenas escoriações leves. Em poucos dias, não haverá mais sinais. Ela já passou do período mais crítico do primeiro trimestre, mas ainda assim precisa de cuidado.
Rafael soltou o ar devagar, como se só então lembrasse que precisava respirar.
A maca surgiu novamente, e ele a acompanhou até o quarto sem dizer uma palavra. Observou colocarem Valentina na cama, ajustarem o soro, verificarem os sinais. O rosto dela havia sido limpo, mas um pequeno corte ainda marcava a lateral da testa, discreto demais para o mundo… e inaceitável demais para ele.
Quando os profissionais saíram, o silêncio tomou conta do quarto.
Rafael puxou a cadeira e se sentou ao lado dela. Segurou sua mão com cuidado, como se até o toque exigisse precisão, e por alguns segundos apenas a observou, absorvendo cada detalhe como se precisasse se certificar de que ela realmente estava ali.
Então a armadura cedeu.
Uma lágrima desceu devagar, silenciosa, sem aviso, sem controle. Ele levou a mão dela aos lábios e beijou com firmeza contida, fechando os olhos por um instante.
— Me desculpa… — murmurou, a voz rouca — eu demorei.
A outra mão subiu até o rosto dela, afastando uma mecha de cabelo com cuidado, desviando do corte.
— Me perdoa…
Desceu até a barriga dela, a palma aberta, firme, protetora.
— Me perdoa, meu filho… papai nunca mais vai chegar tarde.
A porta abriu devagar.
Moreira entrou em silêncio, respeitando o momento.
— Senhor…
Rafael permaneceu ali por mais um segundo, ainda segurando a mão dela. Beijou seus dedos novamente antes de se levantar. Quando se virou, a expressão já não era a mesma. O rosto estava limpo. Os olhos… não. Mas agora estavam frios, organizados, letais.
Eles saíram do quarto.
No corredor, Rafael caminhou até a janela e ficou alguns segundos olhando a cidade lá fora, como se encaixasse cada peça antes de ouvir o restante.
Moreira falou baixo:
— Não foram os homens do Enzo, senhor. Foram do juiz Morrison. Vazou que a denúncia partiu da senhora.
O silêncio que veio depois foi pesado.
Rafael não respondeu de imediato. Quando falou, a voz saiu baixa, firme, sem qualquer hesitação.
— Matem todos no galpão. Não deixe que nenhum escape. Quero isso resolvido agora.
Uma pausa curta.
— E deixe claro que isso é um aviso. Qualquer um que chegue perto dela… morre.
— Sim, senhor.
Moreira ajustou os óculos.
— E o juiz?
Rafael sorriu de leve.
Frio.
Controlado.
— Dê a ele um gostinho da própria justiça. Tire da ala privilegiada… e coloque com quem ele sentenciou.
— Sim, senhor.
Lucas se aproximou logo depois.
— Como ela está?
— Bem. — Rafael respondeu, mas a palavra veio carregada — Mas chegamos por pouco.

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