As sobrancelhas marcantes de Leonardo se fecharam num vinco. Ao vê-la tão alterada, sua voz assumiu um tom frio e sombrio.
— Eu só vou até lá quando acontece alguma coisa com o Marcos. Que tipo de relação você acha que eu tenho com a Fátima?
Mirela agarrou o colarinho dele com força. Lutava para conter as lágrimas, mas elas transbordaram. Sua voz saiu embargada:
— E se um dia eu e o Marcos caíssemos na água ao mesmo tempo, quem você salvaria?
— Isso nunca vai acontecer.
Um traço de impaciência surgiu no olhar de Leonardo.
— Ele ainda é muito pequeno. Como parentes próximos, a nossa obrigação é orientar e ajudar.
Ele fez uma pausa, e sua voz suavizou um pouco.
— Meu irmão sempre foi muito bom para você. Pelo menos em consideração à memória dele, tenta ser mais compreensiva com o Marcos, tá bem?
— Não.
Mirela recusou na mesma hora.
Ela soltou o colarinho dele e desviou o olhar.
— Eu devo ser uma mulher horrível, porque não suporto a ideia de que a existência dele roube toda a sua atenção. Já que você faz tanta questão de cuidar dele, então vamos nos divorciar primeiro.
Aquela discussão parecia não ter fim.
A paciência de Leonardo também pareceu se esgotar. Ele a soltou.
— Nós não vamos nos divorciar. Quando você se acalmar e pensar direito, vai me entender.
Mirela apertou os dedos com força.
— Mas você já assinou os papéis do divórcio!
Leonardo rebateu:
— Aquilo não tem valor legal.
Ele parou de olhar para ela.
Mirela sentiu que estava prestes a enlouquecer.
Trincou os dentes e disparou:
— Você não aceita, é isso? Então fica sabendo que, a partir de agora, toda vez que eu encontrar aquela mãe e aquele filho, vou infernizar a vida dos dois!
Leonardo, porém, lançou-lhe um olhar profundo.
Naquele momento, ela ainda não tinha entendido o significado daquele olhar.
Mas pouco tempo depois, quando chegaram à Villa Serra Verde e ela viu seguranças extras na porta, ficou paralisada.
— O que significa isso?
Sua voz tremia.
Leonardo segurou a mão dela.
— Seu joelho está machucado. Nos próximos dias, você vai ficar em casa se recuperando. Eles vão garantir a sua segurança.
— Você não tem o direito de me trancar aqui.
Leonardo apenas argumentou:
— Eu não estou te trancando. Você está sem dinheiro agora e não conseguiria fazer nada lá fora. É melhor ficar em casa e cuidar desse machucado.
Mirela continuou encarando-o com fúria.
— Você é um monstro.
Leonardo franziu a testa num gesto de advertência.
— Mirela.
Ela virou o rosto, ignorando-o. O coração doía tanto que mal a deixava respirar; sentia como se até a alma estivesse tremendo.
Tudo por causa da Fátima. Por causa do Marcos.
Ele não só tinha bloqueado os cartões dela, como agora a mantinha em casa à força, obrigando-a a refletir sobre o próprio comportamento.
Como ele podia fazer uma coisa dessas?
Como podia humilhá-la desse jeito?
Leonardo observou seu perfil. Os cílios longos tremiam, e o rosto estava pálido. Ela parecia absolutamente decidida a se divorciar.
Uma sensação sufocante apertou o peito dele, e a certeza inabalável que antes sentia começou a vacilar.
O toque do celular quebrou o silêncio. Ele atendeu, virou as costas e saiu.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei por Amor, Me Divorcei por Dignidade
Totalmente fora de contexto esse capítulo, ficou uma bagunça....
Descontaram 20 moedas no total...
Cobraram as moedas e não disponibilizou o capítulo, de sendo que está com erro...