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Casei por Amor, Me Divorcei por Dignidade romance Capítulo 16

As sobrancelhas marcantes de Leonardo se fecharam num vinco. Ao vê-la tão alterada, sua voz assumiu um tom frio e sombrio.

— Eu só vou até lá quando acontece alguma coisa com o Marcos. Que tipo de relação você acha que eu tenho com a Fátima?

Mirela agarrou o colarinho dele com força. Lutava para conter as lágrimas, mas elas transbordaram. Sua voz saiu embargada:

— E se um dia eu e o Marcos caíssemos na água ao mesmo tempo, quem você salvaria?

— Isso nunca vai acontecer.

Um traço de impaciência surgiu no olhar de Leonardo.

— Ele ainda é muito pequeno. Como parentes próximos, a nossa obrigação é orientar e ajudar.

Ele fez uma pausa, e sua voz suavizou um pouco.

— Meu irmão sempre foi muito bom para você. Pelo menos em consideração à memória dele, tenta ser mais compreensiva com o Marcos, tá bem?

— Não.

Mirela recusou na mesma hora.

Ela soltou o colarinho dele e desviou o olhar.

— Eu devo ser uma mulher horrível, porque não suporto a ideia de que a existência dele roube toda a sua atenção. Já que você faz tanta questão de cuidar dele, então vamos nos divorciar primeiro.

Aquela discussão parecia não ter fim.

A paciência de Leonardo também pareceu se esgotar. Ele a soltou.

— Nós não vamos nos divorciar. Quando você se acalmar e pensar direito, vai me entender.

Mirela apertou os dedos com força.

— Mas você já assinou os papéis do divórcio!

Leonardo rebateu:

— Aquilo não tem valor legal.

Ele parou de olhar para ela.

Mirela sentiu que estava prestes a enlouquecer.

Trincou os dentes e disparou:

— Você não aceita, é isso? Então fica sabendo que, a partir de agora, toda vez que eu encontrar aquela mãe e aquele filho, vou infernizar a vida dos dois!

Leonardo, porém, lançou-lhe um olhar profundo.

Naquele momento, ela ainda não tinha entendido o significado daquele olhar.

Mas pouco tempo depois, quando chegaram à Villa Serra Verde e ela viu seguranças extras na porta, ficou paralisada.

— O que significa isso?

Sua voz tremia.

Leonardo segurou a mão dela.

— Seu joelho está machucado. Nos próximos dias, você vai ficar em casa se recuperando. Eles vão garantir a sua segurança.

— Você não tem o direito de me trancar aqui.

Leonardo apenas argumentou:

— Eu não estou te trancando. Você está sem dinheiro agora e não conseguiria fazer nada lá fora. É melhor ficar em casa e cuidar desse machucado.

Mirela continuou encarando-o com fúria.

— Você é um monstro.

Leonardo franziu a testa num gesto de advertência.

— Mirela.

Ela virou o rosto, ignorando-o. O coração doía tanto que mal a deixava respirar; sentia como se até a alma estivesse tremendo.

Tudo por causa da Fátima. Por causa do Marcos.

Ele não só tinha bloqueado os cartões dela, como agora a mantinha em casa à força, obrigando-a a refletir sobre o próprio comportamento.

Como ele podia fazer uma coisa dessas?

Como podia humilhá-la desse jeito?

Leonardo observou seu perfil. Os cílios longos tremiam, e o rosto estava pálido. Ela parecia absolutamente decidida a se divorciar.

Uma sensação sufocante apertou o peito dele, e a certeza inabalável que antes sentia começou a vacilar.

O toque do celular quebrou o silêncio. Ele atendeu, virou as costas e saiu.

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