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Casei por Amor, Me Divorcei por Dignidade romance Capítulo 406

O semblante de Gonçalo estava péssimo.

Para ele, aquela filha não passava de uma ingrata.

Eles a tinham criado até a vida adulta, mas ela nunca pensou em retribuir. Pelo contrário, agora só causava confusão.

— Com essa sua atitude desleal e ingrata, você acha mesmo que seus pais biológicos vão querer reconhecê-la no futuro?

Gonçalo disparou sem a menor cerimônia e, em seguida, voltou para o quarto.

Mirela permaneceu inexpressiva.

Nada daquilo abalou seu interior.

Em sua mente, apenas passavam flashes de tudo o que tinha acontecido no passado.

Se eles ainda a amassem como quando ela era criança, ela com certeza estaria sofrendo absurdamente agora.

Pena que esse “se” não existia.

A porta do quarto se abriu outra vez, e Leonardo saiu.

Seu rosto estava um pouco pálido, e as sobrancelhas marcantes estavam franzidas.

— O que ele disse para você?

Mirela balançou a cabeça:

— Não importa mais.

Uma sombra de preocupação cruzou o olhar escuro de Leonardo enquanto ele observava o rosto delicado dela:

— Ele não vai se atrever a fazer nada contra você. Não precisa ter medo.

Mirela ergueu o olhar, encarando-o com seus olhos límpidos, e perguntou de repente:

— O que você quer dizer com isso?

Após uma breve pausa, ela o lembrou:

— Não se esqueça de que já assinamos os papéis do divórcio.

A expressão de Leonardo escureceu um pouco, e ele respondeu num tom indiferente:

— Como seu parceiro de negócios, estou apenas demonstrando preocupação. O quê? Agora eu não posso nem me preocupar com você?

A frase a deixou sem palavras.

Ela também não era tão insensível assim.

Ela se calou e continuou esperando em silêncio.

Não se sabia quanto tempo tinha passado quando Patricia saiu. Seu rosto carregava traços de cansaço, e seus olhos exibiam uma tristeza difícil de esconder.

A respiração de Mirela falhou por um instante, e ela perguntou:

— Filomena.

A enfermeira apontou na direção deles e disse:

— É naquele quarto.

— Muito obrigada. — A idosa agradeceu com um sorriso e caminhou até eles.

Ao ver o grupo parado na porta do quarto, a senhora pareceu confusa. Mas, quando seu olhar recaiu sobre Patricia, o sorriso desapareceu na mesma hora.

Patricia também a analisou de cima a baixo e disparou:

— Letícia Barreto. Depois de tantos anos, você ainda está viva.

Letícia deu dois passos à frente e disse:

— Patricia, o que você está fazendo aqui?

— Sou eu quem deveria te perguntar isso, não? O que você está fazendo aqui? Com que direito você aparece neste lugar? — A postura da avó mudou completamente, tornando-se imponente e agressiva, com o olhar afiado cravado na mulher à sua frente.

Mirela observava a cena, e uma suspeita surgiu em sua mente.

Será que aquela Letícia era a mesma Letícia Barreto de quem Filomena tanto falava?

A avó de Fátima?

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