Leonardo, recostado na cabeceira da cama, ouviu aquilo e sua expressão escureceu.
Seu olhar pousou sobre ela, detendo-se por fim no abdômen de Mirela.
Depois de um longo instante, ele puxou o lençol e saiu da cama.
A consciência de Mirela já estava turva. Assim que sentiu a ausência dele ao seu lado, adormeceu rapidamente.
Quando acordou de novo, já eram duas da tarde. Tinha dormido praticamente o dia inteiro.
Levantou-se atordoada, com a cintura dolorida e as pernas fracas. Em pensamento, xingou Leonardo de animal várias vezes.
Tomou banho e se sentiu muito melhor. Ao olhar em volta do quarto, não encontrou a pílula.
Franziu a testa. Será que ele não tinha ouvido o que ela pediu?
Baixou levemente os olhos. Talvez tivesse ouvido, mas simplesmente não quis comprar.
Mirela saiu do quarto. Da sala vinha a voz grave e magnética de um homem falando sobre assuntos da empresa.
Ela não entendia nada daquilo. Apoiada no corrimão, espiou para baixo e viu vários homens de terno e gravata sentados no sofá, digitando em seus notebooks.
Ele tinha transferido a reunião para casa.
Mirela estava prestes a recuar quando Leonardo, como se a tivesse sentido, levantou a cabeça e olhou diretamente para ela.
Os olhares dos dois se cruzaram.
Ela desviou os olhos imediatamente, desceu as escadas e caminhou em direção à saída.
— Aonde vai?
A voz profunda de Leonardo soou atrás dela.
Mirela respondeu num tom neutro:
— Vou ver a minha avó.
Leonardo disse:
— Já estou acabando aqui. Vou com você.
Mirela negou:
— Não precisa. É só mandar alguém me acompanhar.
— Eu não fico tranquilo.
Depois de dizer isso, Leonardo deu as últimas instruções aos outros e encerrou:
— Reunião encerrada.
Os homens foram discretíssimos. Guardaram as coisas e saíram rapidamente.
Ao passarem por Mirela, todos a cumprimentaram.
— Boa tarde, Sra. Vasconcelos.
Leonardo sentou-se no banco de trás, observando o rosto gelado de Mirela sem prolongar a discussão.
O carro seguia suavemente pela avenida. Quando passaram em frente a uma farmácia, Mirela ordenou de imediato:
— Pare o carro.
O motorista freou e parou o veículo.
Mirela abriu a porta e desceu. Leonardo a viu entrar na farmácia, e seu olhar ficou ainda mais sombrio.
Ela voltou rapidamente, trazendo também uma garrafa de água, e tomou o comprimido ali mesmo, dentro do carro.
O clima no interior do veículo ficou congelante.
Quando chegaram ao Portal do Moinho, os dois entraram no elevador. Só então Leonardo quebrou o silêncio:
— Você não precisava tomar remédio. Eu vou usar preservativo.
Mirela rebateu:
— E quem me garante que você não vai furá-lo?
A expressão de Leonardo endureceu.
— Mirela, é assim que você pensa de mim?
— Eu só não quero correr riscos. — Mirela continuava perfeitamente calma. — E se eu engravidar? O que eu faço? Eu não te amo mais. Ter um filho de pais que não se amam é uma irresponsabilidade com a criança.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei por Amor, Me Divorcei por Dignidade
Totalmente fora de contexto esse capítulo, ficou uma bagunça....
Descontaram 20 moedas no total...
Cobraram as moedas e não disponibilizou o capítulo, de sendo que está com erro...