O médico foi embora logo depois, e o quarto do hospital voltou a ficar em silêncio. Patricia estava sentada na cama, sem dizer uma palavra. A luz iluminava seu rosto, deixando sua expressão ainda mais pálida.
Mirela engoliu a tristeza que apertava seu peito, aproximou-se e disse:
— Vó, a senhora não queria descansar? Então deite um pouco.
Durante essa fase de desintoxicação, o corpo da idosa estava muito fragilizado, exigindo bastante repouso.
Patricia ficou atônita por alguns segundos antes de assentir.
— Ah, sim. Estou com sono, vou dormir.
Mirela a ajudou a se deitar e a cobriu com o cobertor. Ao ver a avó fechar os olhos, a tristeza e a raiva no olhar da jovem quase transbordaram, difíceis de disfarçar.
Ela se virou e saiu do quarto, sendo acompanhada por Leonardo logo atrás.
Respirou fundo e, em seguida, olhou para ele.
— Eu quero que o Grupo Medeiros vá à falência.
Leonardo a envolveu pelos ombros.
— Tudo bem.
O corpo de Mirela enrijeceu levemente, mas ela não o afastou.
Logo depois, ele a virou com delicadeza, fazendo com que o rosto dela se escondesse em seu peito. Sua mão grande e acolhedora acariciou suavemente a nuca dela, e ele murmurou:
— Chora, se você quiser chorar.
As mãos de Mirela se fecharam em punhos.
Ela tinha conseguido se segurar tão bem até aquele momento.
No entanto, bastou ouvi-lo dizer aquilo para que as emoções que ela vinha reprimindo desmoronassem num instante. As lágrimas começaram a cair sem controle. Ela mordia os lábios com força, deixando escapar apenas alguns soluços baixos quando já não conseguia mais se conter.
Era um som de partir o coração.
O pomo de Adão de Leonardo se moveu pesadamente.
— Mirela, pode chorar alto. Não precisa se segurar.
Mirela não lhe deu ouvidos. De olhos fechados, completamente envolvida pelo cheiro dele, deixou a angústia escapar um pouco e, em seguida, o empurrou de leve.
Leonardo não queria soltá-la.
Se pudesse, queria continuar abraçando-a para sempre.
Ele a soltou, e ela imediatamente levou as mãos ao rosto para enxugar as lágrimas.
— Vou passar a noite aqui com a minha avó. É melhor você voltar.
Por ter acabado de chorar, a voz dela estava abafada, e os cantos dos olhos estavam vermelhos. Mas aquelas pupilas, lavadas pelas lágrimas, pareciam extraordinariamente límpidas.
Mirela estava furiosa, mas, ao lembrar que ainda precisava da ajuda dele, engoliu a raiva e caminhou em direção ao elevador com uma expressão fria.
Quando chegaram à Villa Serra Verde, já eram nove da noite.
Mirela estendeu a mão na direção dele.
— Tira a roupa.
Leonardo a observou atentamente por um momento e disse:
— Seu rosto está sujo. Sobe e toma um banho primeiro.
Mirela franziu a testa.
— Então eu só lavo o rosto. Para que tomar banho? É perda de tempo.
Ela ainda precisava voltar para o hospital.
Leonardo comentou em tom indiferente:
— A gente correu o dia inteiro hoje. Você consegue mesmo suportar esse cheiro?
Mirela ficou em silêncio.
Ela se cheirou e, de fato, o odor não estava nada agradável. Com o rosto inexpressivo, se virou e subiu as escadas.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei por Amor, Me Divorcei por Dignidade
Totalmente fora de contexto esse capítulo, ficou uma bagunça....
Descontaram 20 moedas no total...
Cobraram as moedas e não disponibilizou o capítulo, de sendo que está com erro...