— Você está disposta a acabar com todo mundo que machucou a sua avó. Então por que deixaria impune alguém que tentou te matar mais de uma vez?
A noite lá fora estava densa, e a atmosfera na sala de jantar ficou pesada. A voz grave e magnética de Leonardo trazia uma frieza cortante, enquanto seus olhos profundos a fitavam, desenterrando lembranças aterrorizantes dos momentos em que ela esteve à beira da morte.
Os longos cílios de Mirela tremeram. Ela se lembrou das vezes em que lutou pela própria vida, da hipocrisia e da crueldade implacável de Joaquim. Sim, ela precisava se vingar.
Ela olhou para ele e assentiu:
— Certo. Eu vou seguir a sua ideia.
Um leve sorriso se formou nos lábios finos de Leonardo, e um brilho de aprovação surgiu em seu olhar sombrio.
— Você precisa aprender a se proteger, a revidar e a se vingar. Quando as pessoas começarem a ter medo de você, ninguém mais vai ousar te ameaçar.
Pelo visto, só buscar a própria força interior estava longe de ser suficiente.
Os inimigos de Mirela espreitavam nas sombras, e ela ainda tinha um longo caminho pela frente.
Ela assentiu e terminou de comer o arroz. Depois de escovar os dentes, deitou-se na cama, refletindo sobre o que deveria fazer a seguir.
Naquele exato momento, Leonardo entrou no quarto sem bater.
Ela resmungou:
— E agora você não bate mais na porta?
— Vim cobrar o pagamento pelas minhas aulas.
Leonardo usava um roupão cinza-escuro, com os cabelos curtos ligeiramente bagunçados. Sob a luz fraca, seu rosto tinha uma beleza arrebatadora, e seus olhos escuros a encaravam com uma intensidade indecifrável.
Mirela não teve resposta para aquilo.
Quando o corpo dele a cobriu, ela finalmente entendeu o que ele queria dizer com “cobrar o pagamento”.
Já era alta madrugada quando, com a respiração ofegante e descompassada, ela arfou:
— Já foram cinco vezes.
— Foram. E ainda faltam cinco para fechar a cota deste mês.
Leonardo beijou as costas e os ombros dela, com a voz rouca pelo esforço.
Fechando os olhos com força, Mirela reclamou:
— Isso é injusto.
— O quê?
Leonardo ergueu o olhar para encará-la.
No entanto, Patricia se voltou para Mirela e aconselhou:
— Quando vocês se divorciarem, exija esta casa na partilha.
Os lábios de Mirela se curvaram num sorriso. Ela estava adorando essa nova versão desbocada e direta da avó.
— Pode deixar, eu vou ficar com a casa. Aí nós duas vamos morar juntas aqui.
Patricia levou alguns segundos para processar antes de assentir com firmeza:
— Isso!
Leonardo ficou completamente sem palavras.
Todos os dias, Mirela se exercitava para melhorar o condicionamento físico. Foi assim que descobriu que o porão da mansão abrigava, na verdade, um estande de tiro de última geração, com um isolamento acústico tão bom que, no passado, Leonardo treinava ali sem que ela jamais desconfiasse.
Olhando para a instalação e depois para o homem ao seu lado, ela de repente sentiu que não o conhecia tão bem quanto pensava.
Oito anos juntos, e parecia que ela não sabia quase nada sobre a vida dele.
Leonardo abriu uma maleta, tirou uma pistola preta elegante e compacta, e a entregou a ela.
— O tamanho e o peso desta aqui são ideais para você. Experimenta.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei por Amor, Me Divorcei por Dignidade
Totalmente fora de contexto esse capítulo, ficou uma bagunça....
Descontaram 20 moedas no total...
Cobraram as moedas e não disponibilizou o capítulo, de sendo que está com erro...