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Casei por Amor, Me Divorcei por Dignidade romance Capítulo 533

— Vovó, a senhora não pode dizer isso. Se a sua neta biológica escutar uma coisa dessas, vai acabar achando que eu te dei alguma poção mágica para fazer uma lavagem cerebral. — Mirela fingiu uma expressão brava.

Em seguida, abriu um sorriso novamente.

— Vovó, quando ela voltar um dia, nós podemos ser como irmãs. Mas a senhora vai ter que aprender a dividir a atenção, viu? Não pode tratá-la bem demais, senão eu vou morrer de ciúmes.

Ela falava em tom de brincadeira, mas a verdadeira intenção era evitar que Patricia ficasse remoendo aqueles pensamentos conflitantes.

No momento, ainda não havia certeza de que Débora era, de fato, a neta biológica de Patricia. Portanto, Mirela jamais tocaria naqueles bens.

Se Débora realmente fosse a herdeira de sangue, tudo dependeria de como ela trataria Patricia.

Se a garota fosse afetuosa e cuidasse da avó, Mirela poderia reconsiderar o fato de querer acabar com ela.

Mas, se ela ousasse tratar Patricia mal, Mirela não teria um pingo de misericórdia!

Agora, o único desejo de Mirela era que Débora não fosse a neta de Patricia. Assim, elas não precisariam enfrentar um dilema no futuro.

Ela encostou a cabeça no colo de Patricia, sentindo as mãos quentes e calejadas acariciarem gentilmente seus longos cabelos.

Patricia soltou um longo suspiro.

— Ah, minha menina boba.

E se ela ficasse com tudo, qual seria o problema?

Ela havia dado de bom grado; Mirela tinha o direito de fazer o que quisesse com aquilo.

Mas aquela menina boba insistia em fazer as coisas daquele jeito.

Como isso não cortaria o coração da avó?

Os pais dela haviam sido injustos e, no fim, descobriu-se que sequer eram seus pais biológicos. O marido também a machucara de inúmeras formas.

Ela havia se tornado uma alma solitária no mundo.

Antigamente, ela conhecia a felicidade.

Mas agora, não tinha mais nada.

Um nó de amargura e tristeza se formou na garganta de Patricia. Ela só queria proporcionar o melhor de tudo para aquela garota inocente.

Mirela, alheia aos pensamentos da avó, apenas sentia que o momento presente era incrivelmente feliz e belo.

De olhos fechados, deitada no colo da avó, a luz do sol as banhava, envolvendo-as num calor acolhedor.

— A verdade é que eu não quero dividir a cama com a minha mãe. Ela com certeza vai passar a noite toda me dando sermões.

Mirela soltou uma risada genuína.

— Aos olhos da sua mãe, você está se casando de verdade. Acho que ela não vai te dar broncas hoje, provavelmente vai querer compartilhar alguns conselhos do fundo do coração.

Ela invejava Carla em silêncio. Seus pais cuidavam dela, e ela era o centro das atenções do lar.

E quanto a Mirela?

Não tinha nada disso.

Um sentimento de solidão tentou emergir de seu peito, mas ela o suprimiu com força, exibindo um sorriso impecável no rosto.

Carla encostou a cabeça no ombro da amiga.

— Ai... Tomara que sim.

À noite, como previsto, a Sra. Figueiredo foi procurar Carla. Mirela então retirou-se para o quarto de hóspedes. No dia seguinte, precisaram acordar antes do amanhecer para a maquiagem e para vestir o vestido de noiva. Carla estava deslumbrante, como uma verdadeira princesa de contos de fadas.

O cortejo do noivo chegou rapidamente, e o clima era de pura festa e alegria.

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