Iris murmurou baixinho: "Que estranho, ele estava nos seguindo quando viemos pra cá agora há pouco."
Natan resmungou com desdém: "Já sabia que ele não era boa coisa. Com você é só brincadeira, Iris, não vai se apaixonar, hein?"
"Eu sei, não preciso que você me lembre." Iris, irritada, afastou a franja do rosto.
Natan também desistiu da ideia de mandar o loirinho arrumar confusão: "Deixa pra lá, se ele fugiu, fugiu. O melhor é pensarmos num jeito de pegar a Zoé e o filho dela."
Os três voltaram a prestar atenção em Zoé, que estava não muito longe dali.
Zoé colocou flores diante do túmulo de André, ficou ali parada por mais um tempo, e então, escoltada pelos seguranças, entrou no carro.
Já no carro, Zoé não foi embora imediatamente, parecia aguardar por algo.
Depois de alguns minutos, um dos seguranças veio informar: "Sra. Zoé, ainda não conseguimos contato com o Duke."
Zoé franziu as sobrancelhas, confusa. Como era possível que Duke tivesse se perdido procurando alguém?
Ela abriu a janela, deixando o vento fresco do entardecer acariciar seu rosto. "O jovem também não apareceu?"
O segurança hesitou: "Sra. Zoé, o jovem, todos os anos, vinha visitar o Sr. André... Desta vez, realmente está estranho. Talvez, sabendo que a senhora veio a Bordeaux, ele..."
"Eu sei o que ele está pensando." Zoé interrompeu, de repente, com uma voz fria e firme. "Ele acha que fui eu quem matou o pai dele."
Ela fechou os olhos, respirou fundo. "Mas ele não entende que algumas coisas são muito mais complexas do que parecem. Fui eu quem o protegeu demais, e agora ele não consegue lidar nem com uma decepção tão pequena."
"André..." murmurou suavemente, "nosso filho é tão teimoso quanto você..."
Ela ficou mais um tempo sentada no carro.
Naquele dia, tinha feito questão de vir prestar homenagem no aniversário de morte do marido, esperando encontrar o filho ali. No fim, não o viu e teve que ir embora decepcionada.
Antes de partir, ela ainda orientou os subordinados: "Fiquem de olho por aqui. Se encontrarem o jovem, tragam-no imediatamente."
"Sim, senhora."
Iris não conseguiu evitar uma careta. "Achei que você tinha fugido."
O loiro fez um muxoxo: "Quem disse que eu fugi? Só não queria ficar lá."
Os três o olharam desconfiados por um instante e, em silêncio, subiram para os quartos.
Para surpresa deles, o loiro seguiu Iris até a porta do quarto dela.
Iris se virou de repente, quase esbarrando no peito dele.
"O que você quer?" recuou um passo, encostando-se na porta.
O loiro abaixou a cabeça e, de repente, falou: "Por enquanto, não tenho pra onde ir. Posso ficar com você esta noite?"
Iris semicerrrou os olhos, desconfiada: "Não tem pra onde ir? Impossível."
"É verdade..." O loiro, então, baixou ainda mais a voz, seus olhos azuis, sob a luz fraca do corredor, pareceram ainda mais profundos e vulneráveis: "Quando saí, perdi tudo, carteira, celular..."

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