Quando o som dos saltos altos de Zoé ecoou no final do corredor, Víctor já tinha voltado para seu quarto, folheando uma revista com uma expressão tranquila.
"Víctor?" Zoé abriu a porta, lançando um olhar afiado pelo cômodo. "Você esteve no ala oeste?"
Era a direção do seu laboratório privado.
"Não." Víctor levantou os olhos calmamente. "Por que voltou tão rápido?"
Zoé não respondeu. Aproximou-se do filho e, de repente, levou a mão ao rosto dele; aquela mão gelada como a pele de uma cobra.
"Você está suando." Ela comentou suavemente, fitando os olhos de Víctor com um olhar investigativo.
Víctor manteve o olhar frio. "Acabei de jogar tênis."
Zoé o encarou por um longo tempo antes de finalmente retirar a mão. "Lembre-se: não entre no ala oeste."
Víctor assentiu, sem demonstrar emoção alguma, mas o coração batia descompassado no peito.
Zoé virou-se para sair, mas parou de repente na porta. "Ah, já que você voltou, estou pensando em transferir o túmulo do seu pai de volta para cá. O que acha?"
O sangue de Víctor gelou no mesmo instante.
Ela sabia perfeitamente que o pai preferia Bordeaux, que ele preferiria ser enterrado lá.
Era um teste? Ou... uma ameaça?
"Como quiser. Não me oponho."
Zoé pareceu satisfeita, e o som dos saltos se afastou pelo corredor.
Só depois de ter certeza de que Zoé realmente havia partido, Víctor se permitiu desmoronar.
Correu para o banheiro, ajoelhou-se junto ao vaso e vomitou violentamente, como se quisesse expelir todas as entranhas.
Depois de limpar a sujeira ao redor da boca, Víctor encarou seu próprio reflexo no espelho: rosto pálido, olhos injetados de sangue, parecia um fantasma.
Mas naquele instante, um pensamento tomou forma em sua mente.
"Orlando?" Jessica se apoiou no corrimão, surpresa. "Tão cedo?"
David apareceu de repente de algum lugar e segurou firme a cintura dela. "Cuidado com os degraus."
Lá embaixo, Orlando respondeu com um "Hum", mas o semblante estava sombrio, claramente de mau humor.
Jessica olhou para Orlando, depois para Raquel, que se encolhia no canto do sofá fingindo tomar café, e de repente entendeu tudo. Piscou com malícia: "Orlando está chateado? Vai brigar comigo por ter roubado a Raquel?"
Orlando tossiu levemente, as orelhas ficando levemente vermelhas. "Que bobagem, Orlando não é tão mesquinho assim."
"E então, o que veio fazer aqui?" Raquel ergueu os olhos, igualmente intrigada.
Ela só tinha ficado um dia com Jessica, não era motivo para tanta saudade, certo?
Orlando respondeu tranquilamente: "Fiquei preocupado com vocês, vim dar uma olhada."
Jessica e Raquel trocaram olhares, e, conhecendo a personalidade reservada de Orlando, sabiam que, apesar de dizer que estava preocupado, ele estava claramente com saudades de Raquel. Jessica percebeu, mas não comentou, para não deixar Orlando mais envergonhado.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Caso de Uma Noite: Quatro Bebês Expõem o Chefão como Pai!