— Então me responde: por que tinha que ser justamente aqui?
Ivone deu um passo à frente. Sob a sola do sapato, o cimento guardava a marca de dois pezinhos miúdos, afundados no concreto úmido quando ela teve um ano. Os pais a seguravam, rindo, enquanto pressionavam os pés dela contra o chão recém-feito.
Ela respirou fundo, lutando para segurar as lágrimas.
— Você sabe que aqui era a minha casa. — Disse Ivone, a voz rouca.
Claro que Maia podia morar ali.
O que não podia era o fato de Fabiano ter comprado justamente aquele imóvel para instalar Maia. Isso doía mais do que se ele próprio cravasse uma faca no peito de Ivone.
Maia tirou um lenço dobrado do bolso e estendeu para Ivone.
— Enxuga essas lágrimas. Tá muito frio. — Falou Maia com suavidade.
Ivone não se mexeu. Nem chegou a olhar para o lenço.
— Ivi, não se agarra mais a isso. — A voz de Maia soou mansa, mas firme. — Essa casa já não é sua há muito tempo. No dia em que seu pai vendeu, ela deixou de ser de vocês. Ela ia acabar nas mãos de alguém. Se qualquer outra pessoa pode morar aqui, por que eu não?
A frase soou como um eco cruel de outra, antiga e cada palavra era uma lâmina entrando fundo.
Um sorriso leve, com um traço de ironia, surgiu nos lábios de Maia.
— Foi como você mesma disse um dia, lembra? — Continuou Maia. — Eu não podia casar com o Fabiano, porque fiquei presa a essa cadeira. Se eu não podia casar com ele, por que é que você poderia? Você entende tão bem essa lógica. Por que agora vem me cobrar?
Então era isso.
— Então você finalmente cansou de fingir, é isso? — Ivone deu um tapa na mão dela, fazendo o lenço cair no chão.
O segurança, assim que viu Ivone levantar a mão, avançou na mesma hora para barrá‑la:
— Peço que a senhora saia imediatamente!
— Cai fora.
O corpo inteiro de Ivone exalava uma frieza decidida.
O segurança manteve a postura séria:
...
— Senhora! — Dulce correu até ela, emocionada por vê‑la chegar. Mas, ao notar os olhos vermelhos de Ivone, ela ficou apreensiva. — O que aconteceu com a senhora?
— O Fabiano voltou? — Perguntou Ivone.
Dulce balançou a cabeça:
— Pelo que eu soube, ele tá viajando a trabalho.
Os passos de Ivone vacilaram por um segundo. Se ele estava viajando, então ele não tinha voltado pra casa.
Ela acelerou o passo, subiu as escadas e empurrou a porta do escritório de Fabiano. Ela foi direto até a escrivaninha, puxou a gaveta, pegou o acordo de divórcio e rasgou o documento sem a menor hesitação, jogando os pedaços no lixo.
Fabiano queria o divórcio? Tudo bem.
Antes, ela não fazia questão de nada.
Agora, ela queria aquela casa.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: CEO Fabiano, Você Foi Chutado para Fora do Jogo!
ta ficando muito enrolada a historia...