Entrar Via

Cinco Anos de Um Casamento Vazio romance Capítulo 177

— Isso ainda é problema pequeno? — A vovó segurou as mãos de Lorena com todo cuidado, com o coração apertado. — Dor no dedo é das piores que existe!

— É problema pequeno mesmo. — Lorena sorriu de leve. Para ela, aquela dor era nada perto da dor do acidente de carro de anos atrás.

O rosto de Isaac, porém, ficou bem fechado.

Lorena imaginou que ele também tinha se lembrado do acidente. Aquilo era a mancha escura do passado dele, a ferida escondida. Por causa daquele acidente, ele tinha trocado casamento por culpa, e aquilo tinha sido a raiz de toda a infelicidade conjugal dele.

Lorena sorriu de novo, em silêncio, e pensou: Não tem problema. Todo mundo está prestes a se libertar.

Isaac levou Lorena até o hospital mais próximo sem dizer uma palavra. Lá, os médicos limparam e trataram os machucados. Depois, ele organizou tudo e falou:

— Vovó, a senhora quer voltar para casa primeiro? Eu e Lorena precisamos resolver uma coisa. Mais tarde eu levo vocês duas para casa.

— Não precisa. — Rita respondeu na hora. — Eu só queria ver a mão da Lô enfaixada direitinho. Agora que eu vi, eu posso voltar. Vocês vão resolver o que têm para resolver. Eu dou um jeito naquele filho ingrato.

— Então está bem. — Isaac concordou. — Eu vou falar com o pessoal da liderança da comunidade. Ah, vovó, a senhora sabe por que Michel, de repente, ficou tão desesperado por causa desta casa?

A vovó balançou a cabeça.

— Ele ficou sabendo de alguma coisa. — Isaac explicou. — Esta região aqui vai virar um projeto turístico. As casas vão ser desapropriadas.

— Agora tudo faz sentido… — Rita murmurou, entendendo na mesma hora.

— Vovó, legalmente, esta casa hoje é de quem? — Isaac perguntou.

A vovó soltou um suspiro longo:

— Naquela época, Michel desprezava mesmo a casa da roça. Ele dizia que não valia nada, que não queria. Ele pegou todo o dinheiro que o pai dele deixou e não deixou um centavo para mim e para as meninas. Naquele dia, a gente combinou que a casa da roça ia ser da tia de Lorena.

— Teve algum testamento? — Isaac quis saber.

A vovó apenas balançou a cabeça, com um suspiro cansado:

— Que testamento. Naquele tempo ninguém sabia dessas coisas.

— Entendi. Vovó, a senhora fica tranquila e deixa isso comigo. — Isaac garantiu.

Ele levou primeiro a vovó de volta para casa. O motorista ainda estava de guarda no quintal, sentado em uma cadeira na sombra, com o portão trancado, tomando uma xícara de café. Michel, por sua vez, continuava sem coragem de ir embora e estava sentado do lado de fora, quase se curvando diante do motorista, tentando negociar alguma coisa.

Quando Isaac apareceu, ele achou a cena quase engraçada.

— Ele acha que é melhor, sim, porque ele tem dinheiro mesmo. Se você é tão macho, não aceita o dinheiro que ele te dá. Fica firme aí, mostra coragem.

— Moleque! O meu dinheiro não cai tudo no seu colo?

— Eu recebo algum centavo seu? Quem banca os patrocínios da minha empresa é Isaac! O seu dinheiro mal dá para você torrar em jogo!

— Seu ingrato…

— Ei, para de gritaria vocês dois! — Bruna se desesperou. — O que a gente vai fazer agora, afinal?

Isaac saiu de casa naquele momento. Ele lançou um olhar gelado para Michel, ignorou completamente o novo sorriso forçado do homem e passou direto.

O carro estava parado na rua, em frente. Isaac entrou, mas, em vez de sair do vilarejo, ele dirigiu mais para dentro, até o prédio onde ficava o escritório da liderança da comunidade.

— Eu vou falar com o responsável da comunidade. Eu volto rápido. — Isaac avisou.

Ninguém sabia o que ele conversou lá dentro. O líder da comunidade fez questão de acompanhar Isaac até a porta, apertando a mão dele. Quando Isaac voltou para o carro, ele se sentou ao lado de Lorena e falou, calmo:

— Está resolvido. Seu pai e sua mãe vão sair daqui a pouco.

Histórico de leitura

No history.

Comentários

Os comentários dos leitores sobre o romance: Cinco Anos de Um Casamento Vazio