KADEN
Ágata fez uma pausa e continuou:
«Agora eu entendo que nada foi por acaso, que ela tinha poder suficiente para que alguém a avisasse se me visse em alguma das matilhas deste reino.
Eu fiquei feliz ao ouvir que ela tinha se casado com um bom homem e que tudo tinha entrado nos eixos na vida dela.
Ela confessou que o pai dela morreu, mas depois da minha ajuda a vida dela melhorou… eu não imaginava o quanto tinha melhorado e tudo o que ela tinha feito com a minha poção…
O pior é que eu caí de novo naquela carinha de inocente.»
Ágata começou a rir de um jeito bem sinistro, e a aura ao redor do corpo dela começou a escurecer.
—Menina, menina mentirosa, se eu não fui arrancar a cabeça dela, foi para não começar uma guerra entre raças e porque a primeira idiota fui eu. Que conselheira de quinta eu virei!
Ela falou com o nada, com aquele sorriso macabro no rosto, e as tábuas da casa tremeram com a ira dela.
—Ela voltou a me pedir outro feitiço entre lágrimas e me mostrou o filho dela, uma criança pequena que estava muito doente naquele momento ou, melhor… estava marcado para morrer —a voz dela tremeu de raiva.
—A aura dele estava contaminada pelos pecados da mãe, só que até agora eu entendo isso… eu ajudei ela de novo, dei vários frascos de tônicos para salvar ele e avisei de novo… eu repeti um milhão de vezes!
Ágata ergueu a voz, dando um golpe no apoio de braço. Eu nunca tinha visto ela tão fora de si.
—Aquele tônico era para filhotes lycans, não podia ser consumido por um lycan adulto, muito menos um em transição para a maturidade… ou podia enlouquecê-lo, até cortar o laço com a parte animal mais primitiva.
Ao ouvir isso, eu me levantei num pulo, enquanto os olhos dela, cheios de tempestades, me encaravam direto, sem desviar, me mostrando a vergonha dela.
—Eu não devia ter confiado naquela garota que era espancada pelo pai… ela acabou sendo uma mestra escondendo o verdadeiro ser…
—Quem é essa mulher? Me diz! —minha voz saiu como um trovão e, com a descrição da Ágata, tudo se encaixou no lugar.
—Filha da puta maldita! Foi ela, desde o começo foi ela! —eu rugi, socando o suporte de madeira e sentindo as vigas estremecerem.
—A rainha, tudo foi aquela maldita puta! Eu sabia! —as suspeitas que eu vinha acumulando na alma há tanto tempo não eram paranoia minha.
—Minha mãe piorou por causa de uma viagem que fez com meu pai e ele… ele voltou outro quando regressou! —exclamei, ligando os pontos.
—Mamãe não durou nada até morrer, e aquela mulher já estava ali, na mesma hora, ocupando o lugar dela! Com certeza eles passaram pela matilha dela!
Ágata baixou a cabeça, concordando.
Eu lembro da agonia da minha pobre mãe.
Ela sempre tinha sido doente, mas definhou como uma chama sufocada pela maldade daquela assassina.

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