ISABELLA
Desviei o melhor que pude, mas vou ser completamente sincera, eu já me via com o rosto todo desfigurado.
Eu estava ferida, tinha muito menos força que ela e estávamos perto demais.
Minha perna não respondia direito e os quase 1,78 m dela se impunham sobre os meus precários 1,65 m.
Ergui os braços para me proteger, tentando empurrá-la e sair daquele aperto.
O som estridente das garras rasgando a parede ecoou bem ao lado do meu ouvido direito.
A outra mão dela foi direto para a minha garganta, cortando a minha respiração.
— Sol…ta… —lutei, cravando as unhas no braço dela.
O rosto dela desceu sobre o meu, com os caninos à mostra e o perigo brilhando nos olhos de loba.
— Ele é meu, enfia isso nessa sua cabecinha de puta barata —cuspiu na minha cara, cheia de ódio.
A pressão no meu pescoço aumentava enquanto eu era erguida contra a parede.
Ela era forte pra caralho e eu estava tão exausta.
— O príncipe me pertence e, se eu não detonar agora essa sua cara de idiota, é só para não te dar mais importância. Mas aproveita bem o teu maldito momento de fama, Omega estúpida…
Ela se inclinou até o meu ouvido e o ar quase já não passava pela minha garganta.
Pontos pretos começaram a dançar na frente dos meus olhos.
— Porque quando ninguém mais lembrar de você eu vou estar lá e vou cobrar uma por uma. Vou transformar a sua vida num inferno de merda. Se prepara…
Os olhos dela se cravaram nos meus tão de perto que eu quase conseguia ver o brilho perigoso da loba por trás.
A aura de Alfa saía para me esmagar sem piedade, exigindo minha submissão.
Ergui a perna num último esforço para acertar um chute, mas os músculos simplesmente não obedeceram.
Eu estava prestes a desmaiar.
Meus pés pendiam no ar, as garras dela marcavam meu pescoço.
Minhas mãos seguravam os punhos dela com força, lutando, e minha loba fazia o que podia para resistir.
— Vai… se… foder… —consegui ranger entre os dentes.
Thera não se deixava domar por aquela loba Alfa.
Eu sabia que era burrice provocar ainda mais, mas não consegui me segurar.
— Acho que você não está entendendo o recado… —o sorriso maligno dela prometia coisa ruim.
Ela ergueu a mão livre e as garras, ainda sujas do reboco da parede, se levantaram sobre mim.
— No fim, você que me obrigou, sua vadia nojenta…
Ela sentenciou, e eu fechei os olhos esperando a dor rasgar toda a minha pele.
Mas algo aconteceu que a fez parar e a pressão na minha garganta sumiu de repente.
— O que está acontecendo aqui? —uma voz rouca e autoritária ecoou pelo corredor.
Caí de joelhos no chão quando ela se afastou.
Tossindo, de cabeça baixa, com as mãos na garganta, emitindo sons de quem estava se engasgando.
— Nada, professor… só tivemos um pequeno desentendimento —ouvi a voz dela, toda inocente.
— Nesta Academia, disputas se resolvem na arena ou no treino, não batendo em outras alunas pelos corredores —ele a repreendeu com dureza.
Ela nem se deu ao trabalho de pedir desculpa. Era metida, com certeza vinha de alguma família rica e influente.
— Vá para o hall de recepção e lá vão indicar o seu dormitório.
Ouvi os passos da tal Miska se afastando e eu sabia que esse era só o começo da desgraça.
O plano de passar despercebida tinha ido pro ralo por causa dos caprichos daquele princeso.
Uma sombra cobriu a minha cabeça.
— Você está bem? —essa voz me pareceu tão serena.
Ergui os olhos, tonta e com vontade de vomitar, tentei falar e me colocar de pé, mas meu corpo já tinha decretado: “daqui eu não passo.”
Às vezes eu esquecia que era só uma Omega.
— Eu… tô… —ergui o olhar com as luzes se apagando, encarando um rosto masculino que me pareceu tão maduro e confiável.
Olhos escuros me examinavam, preocupado.
Poucas pessoas, na minha vida, tinham se preocupado comigo.

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