ISABELLA
A parte de cima era um top preto com um zíper na frente e o logo da academia em dourado, de manga comprida e gola mandarim.
Mas embaixo, só uma sainha cheia de tachas, mais curta do que a vergonha da minha loba.
“Tem o seu charme.”
“Thera, que pouca vergonha!” Joguei a roupa em cima do banco de madeira, com raiva.
“Essa Miska quer me colocar em ridículo, isso aqui é pelo menos dois números menor do que o meu”, rosnhei, frustrada, mas lá fora soou um apito e o professor já tinha chegado.
“Então vamos faltar à primeira aula? E se a gente se meter em problema e expulsarem a gente?” Thera franziu o focinho, pensativa.
“Não vamos faltar e não temos culpa. Essa foi a roupa que deram pra gente e é o que vamos usar. A gente dedura isso pro professor se for preciso.”
Peguei a minissaia e comecei a enfiá-la às pressas.
Por sorte eu tinha trazido um shortinho de lycra, mas isso não cobria em nada as minhas coxas de fora, quase na altura da bunda.
Na frente, meus seios se erguiam a ponto de me sufocar, porque o zíper não fechava direito.
As costuras estalaram de um jeito bem perigoso.
Corri pra sair pela porta e encontrei todas já em formação nos colchonetes.
“Olha, tô me sentindo uma diva de strip-tease.”
“Thera, não mexe mais com os meus ovários e se concentra, que daqui a pouco a gente vai ter que lutar pela nossa vida.”
Bufei irritada, indo pra parte de trás da formação e ouvindo a Alfa que se apresentou como nossa instrutora.
Ela usava o cabelo curto, preto, e tinha uma atitude de guerreira experiente.
Eu tentava me concentrar no discurso de boas-vindas motivacional dela, mas olhares intensos demais queimavam na minha pele.
Virei a cabeça para um lado daquela sala de treinamento enorme e descobri que o único coisa que separava a gente dos machos era uma simples grade.
Arregalei os olhos, sentindo o vermelho subir pro meu rosto ao pegar alguns deles me lançando olhares lascivos.
Principalmente ao ver as provocações de certo lycan loiro que me observava encostado na grade.
— Ei, Kaden, vem ver quem tá treinando do nosso lado!
“Nãããão!”
Eu queria enforcar ele ali mesmo e puxar a língua dele meio metro pra fora da boca.
Mas era inevitável e, de repente, meus olhos se cruzaram com o lycan musculoso saindo do vestiário masculino, todo de roupa preta de combate.
Olhei direto pra aquelas pupilas lupinas de azul elétrico.

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